Renata Barcellos: ‘Feiras literárias’


As feiras literárias surgiram na Europa do século XV. A primeira foi a de Frankfurt (Alemanha) criada há mais de 500 anos. Estão relacionadas à invenção da prensa por Gutenberg. O marco inicial deste modelo tem como foco o comércio de livros e os direitos autorais.
As Feiras literárias são eventos culturais literários que acontecem anualmente em diversas cidades e estados. O foco principal é incentivar a formação de novos leitores. Assim, contribuindo para o fortalecimento da cultura. Deveriam ser eventos essenciais para a formação cultural de um povo. Geralmente, são organizadas pelos setores públicos e privados, de maneira que o evento também tem finalidade comercial e ajuda no aquecimento do mercado editorial.
Escritores independentes são importantes figuras nestas atividades. Nelas, os autores reconhecidos ou não optam pela autopublicação e têm a oportunidade de fazerem contato direto com seus leitores, aumentarem o seu público e “turbinarem” as suas suas redes sociais e seus canais de vendas das suas obras.
Séculos depois, já, no XX, houve a expansão de feiras pela Europa, como Madri (1933) e Bolonha (1964), aproximando o público dos escritores.
Os maiores destaques internacionais incluem a Frankfurter Buchmesse, na Alemanha,; a London Book Fair, na Inglaterra; a Feira do Livro de Bolonha, na Itália, a Feira de Guadalajara, no México.
Função inicial: troca comercial de publicações e negociação de mercado editorial. As
Evolução no Brasil
Anos 1950: surgiram as primeiras feiras populares de São Paulo (1951) e a Feira do Livro de Porto Alegre (1955), pioneira ao ar livre.
Anos 1970–1980: aparecem as grandes bienais comerciais, como a Bienal de São Paulo (1970) e a do Rio de Janeiro (1983).
Anos 2000: formato de feira literária cultural se multiplica pelo país (inspirado pelo sucesso da FLIP, em Paraty), focando em debates, praças públicas e formação de leitores.
Nos últimos anos, tem aumentado significativamente o número de feiras literárias no Brasil. Em todos os estados do país, elas têm ganhado visibilidade e conquistado outros espaços para além dos grandes centros urbanos, como as pequenas cidades. Primeiro, vale destacar que as feiras, bienais e festas se tornaram “fenômenos de marketing”. O objetivo de incentivo à leitura cede lugar à promoção pessoal (redes sociais, contatos) e à comercialização do escritor. Para participar destes eventos, o gasto é alto e o retorno… Do trasporte ao espaço para lançamento – à divulgação da obra. Se não for reconhecido, poucos prestigiarão.
Outro ponto relevante a ser mencionado é a referente ao homenageado. Muitas vezes, são a escritores já falecidos ou a um de outra região. O que deveria ser um momento para valorizar a “prata da casa”, reconhecer os do local, fazê-los serem conhecidos em sua região, convida-se um de outro lugar, além do investimento ser muito maior (hospedagem, alimentação…). E os indígenas? Quantos são escritores? Precisam ter seu espaço garantido! Devem ser lidos, ouvidos… assim como qualquer outro brasileiro.
Uma sugestão para a escolha do tema e do homenageado para as próximas edições é ser feita com a participação da sociedade por meio de votação virtual, já que somos seres tecnológicos. E, com isso, poderia haver maior adesão e interação do público até para se definir o local de cada edição. Deveria ser de fácil acesso para ter a participação do público em geral. Enquanto não houver a reformulação (de fato) destes eventos, não se atingirá os reais objetivos: promover a leitura, formar o leitor crítico, identificar e valorizar artistas locais.
Abaixo à comercialização das atividades culturais! Alguns exemplos por parte de diversas instituições são a cobrança de taxa para realização de inscrição de concursos literários ou pleitear vaga de uma cadeira, preços abusivos para participação em antologias, anuidades com valor de quase um salário mínimo…
Enfim, a presença de escritores contribui para o desenvolvimento de suas carreiras (contratos de tradução, direitos de publicação etc.) sobretudo para tirá-los do anonimato. A realização de feiras literárias proporciona um debate sobre as ações promovidas para a formação de leitores e a valorização daqueles pertencentes ao local. Além do incentivo ao universo literário, propicia o turismo da região. Abaixo à comercialização da cultural!!! Diga sim à valorização do incentivo cultural!!!
Afinal, fica o questionamento para reflexão: na atualidade, existe alguma feira literária de fato? Se conhecer, escreve nos comentários!!! Devemos divulgar!!!!
Renata Barcellos
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Natural do Rio de Janeiro (RJ), é pós-doutora em Língua Portuguesa e em Literatura Brasileira pela UFRJ e professora da Educação Básica à Superior. É membro de diversos sodalícios: APALA, ALAP, AJEB RJ, SCLB MA, AMT, AOL, ABRASCI, ABRAMIL, Pen Clube; membro correspondente do Instituto Geográfico de Maranhão, da Academia Maranhense de Letras e da Academia Vianense de Letras. Membro dos grupos de pesquisa GELMA e do Formas e Poética do Contemporâneo – ForPOC (CNPq/ UFMA/ CCEL). Fundadora do Barcellartes. Escreve matérias e entrevistas para o saite Facetubes, para o Jornal Terra da Gente e A voz do Escriba e para revistas como 7 Literário News, LiterArte SP, Revista Sarau e Voo livre.

