agosto 13, 2026
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Verdades que parecem mentiras

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Eduardo Cesario-Martínez: Conto ‘Verdades que parecem mentiras’

Eduardo Cesario-Martínez
Eduardo Cesario-Martínez
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Getúlio andava com a pulga atrás da orelha, desconfiado de Laís, a noiva de feições faceiras e curvas de parar o trânsito. Talvez fosse apenas impressão ou, ao menos, era isso que dona Felícia, a quase sogra, tentava incutir na mente do sujeito. 

           — Mas, dona Felícia, a senhora tem certeza?

          — Getúlio, meu rapaz, você acha que uma filha consegue esconder alguma coisa da mãe?

           — Bem… Ela mentiu pra mim, e não foi só uma vez.

          Dona Felícia se espichou que nem girafa, lançou sobre o jovem aquele olhar de coruja ressabiada, rodeou-o por duas, três vezes, enquanto Getúlio começou a esperar por um ataque pelas costas. Do nada, a mulher saiu da sala, foi até a cozinha. O homem não entendeu tal atitude, talvez ele tivesse dito coisa que não devia.

          Os minutos seguintes duraram uma eternidade, embora, na conta do relógio na parede, não tivessem chegado a meia hora. De repente, lá estava a anfitriã, café e bolinhos de chuva em uma bandeja de plástico simples, porém honesta. Ela ajeitou o lanche da tarde sobre a mesa e, logo em seguida, ordenou.

          — Venha se sentar.

          Getúlio nem titubeou. Era homem de enfrentar qualquer um, até cachorro bravo se fosse necessário. Todavia, a coragem se acanhava diante daquela mulher.

          — O café tá do seu agrado?

          — Tá sim, senhora.

          — E os bolinhos?

          — Os melhores que já provei.

          Dona Felícia pareceu satisfeita, apesar de não acreditar por completo nas respostas. Seja como for, regozijou-se por dentro sem deixar transparecer os sentimentos para o futuro genro. De súbito, a dona da casa, dedo em riste, ergueu a voz.

          — Pois vou lhe dizer uma coisa muito séria!

          Getúlio, olhos do tamanho de jabuticaba madura, ficou diante da mulher aguardando a grande explicação, que acabou por deixá-lo ainda mais confuso.

          — A Laís não mentiu porque simplesmente nunca aprendeu a mentir. Ela é moça direita, que você precisa confiar. A minha filha só sabe dizer verdades, mesmo aquelas que ainda não chegaram a acontecer.

Eduardo Cesario-Martínez

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