Sandra Albuquerque: Poema ‘O desabafo’


Ah, Painho!
Eu, aqui nesta terra de chão vermelho
Descalço, sentindo a quentura que do vapor sobe
Contrastando com esta brisa que levemente soa
E olhando as gaivotas pairando no ar
Após o seu lindo bailado
Desenhando entre as nuvens baixas
Um espetáculo a parte.
Ah, Painho…
Que saudade do tempo da inocência
Da infância com os meus bisavós
Esta paisagem era bem diferente:
Os rios eram mais extensos e volumosos
As árvores eram amontoadas e os verdes se misturavam.
O aroma das flores diversas, porém inconfundíveis.
O homem respeitava a fauna e a flora
Cada um tinha seu habitat intacto.
A mãe Terra era feliz.
Todos os dias o sol vistava os povos e ao crepúsculo, despedia-se, dando lugar a noite que se aproximava, com a chegada, aos poucos da lua e das estrelas.
O plantio e a colheita eram contados pelas luas.
A mulher dava à luz, orientada pelas 9 luas.
Comíamos o que a Mãe Terra nos oferecia através do solo,das matas e das águas dos rios e mares.
Caçávamos e pescávamos, apenas, para a sobrevivência.
À noite acendíamos as fogueiras e dançávamos ao redor delas, até a hora de repousar os nossos corpos nas redes produzidas pelas mulheres de nossas aldeias.
E era através da melodia dos pássaros pela manhã e dos uivos que ouvíamos a noite que fazíamos sons que se transformavam em doces e ricas melodias.
E a tua sabedoria nos dava a noção de criar os instrumentos musicais.
Os contos dos antigos eram o nosso saber.
Era tudo tão perfeito!
De repente, o homem branco chegou e tudo ficou diferente.
A ganância levou as nossas riquezas embora .
Agora é erosão, desmatamento, queimadas e extinção.
Trocaram a pureza pelo efeito estufa: o aquecimento global.
E o tempo agora é o nosso maior inimigo.
Ah, Painho!…
Que saudade que dá !
Sandra Albuquerque
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Natural de Duque de Caxias (RJ). Professora, escritora e poetisa. Acadêmica Benemérita e Efetiva da FEBACLA, da qual recebeu, dentre outras honrarias, Comendadora Guanabara, Dra. h. c. em Literatura, Direitos Sociais e Humanitários e Comunicação, Acadêmica Correspondente e Internacional, Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis, Comenda Príncipe dos Poetas, em homenagem ao escritor Olavo Bilac e Comenda Imperador Dom Pedro ll. Pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmatianos, o título Benfeitora das Ciências, Letras e Artes; Título da Real Ordem dos Cavaleiros e Damas do Rei Ramiro Il de Leão; Embaixadora da Paz e Comendadora da Justiça de Paz; pela Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos -OMDDH, Comenda lnternacional Diplomata Rui Barbosa- ‘O Águia de Haia’. Membro da Academia Caxambuense de Letras-ACL e da Academia Internacional de Literatura e Artes Poetas Além do Tempo. Colunista do Jornal Cultural ROL. Coautora em várias Antologias, dentre elas, Florbela ll , Rasgando a Mordaça, Collectânea Sonata Poética da Liberdade, Semeando Versos e Sarau Integração Cultural pela ACL. Participação na V FLAVIR e Destaque Social Personalidade 2020 e 2021.

