“Por motivos fúteis, uma pequena diferença nos limites das propriedades, uma briga feia aconteceu entre os dois amigos que se davam muito bem. Deixaram de conversar, proibiram suas famílias de terem amizades e assim um clima turbulento se instalou.”
Dois vizinhos viviam em seus sítios, separados por um rio de águas límpidas, onde podiam pescar lambaris, piavas, saicangas, tambiús, bagres, tabaranas.
Era o divertimento predileto das famílias nos fins de semana, precisando de apenas um bote para atravessarem de um lugar para outro e promoverem encontros deliciosos, pois ambos tinham esposas, filhos que se gostavam, com as crianças fazendo peraltices, subindo em árvores, nadando, catando frutas, soltando pipas, jogando futebol.
As comadres se entendiam muito bem, fazendo os almoços domingueiros, trocando receitas e os compadres batiam papo nas varandas, pitando o cigarrinho de palha feito com fumo de corda, soltando baforadas que perfumavam o ambiente.
Um jovem já namorava a vizinha, uma graciosa garotinha e tinham planos de constituírem família, pois se amavam e os pais torciam para serem futuros vovôs, que adorariam as peraltices que os netinhos fariam naqueles campos todos floridos.
Por motivos fúteis, uma pequena diferença nos limites das propriedades, uma briga feia aconteceu entre os dois amigos que se davam muito bem. Deixaram de conversar, proibiram suas famílias de terem amizades e assim um clima turbulento se instalou.
Não tinha jeito mesmo, as marcas do ódio eram latentes nos dois vizinhos truculentos, pois nenhum queria dar o braço à torcer, de tão teimosos que eram.
As comadres e os filhos eram os que mais sofriam, pois se amavam verdadeiramente e as tristezas foram companheiras de todos os momentos que viveram dali por diante.
Um dia um homem bateu à porta de um dos vizinhos, pedindo trabalho, pois alegou que sabia fazer de tudo, era só falar o que precisava e que ele faria com toda perfeição.
O vizinho teve então a ideia de construir um muro bem alto e assim separar em definitivo as duas famílias, que nunca mais se encontrariam, a amizade acabou, seria o fim.
Combinado como seria, ficou acertado de começar no dia seguinte logo de manhãzinha, era só comprar os materiais necessários para a construção.
Logo de manhã, o vizinho abriu a janela onde se avistava a casa vizinha, ainda encoberta pela serração do amanhecer e teve uma enorme surpresa.
No lugar onde seria levantado o muro, uma ponte muito bem feita, pintada de azul, ligava a sua propriedade ao do vizinho e isso o deixou furioso, pois não era o que combinou. Procurou o profissional que contratara para fazer o muro e deu-lhe uma enorme reprimenda, dizendo que fez aquilo sem sua autorização. Poderia então ir embora, dar o preço do que fez e que ele desmancharia imediatamente.
A pessoa disse-lhe que não cobraria nada, pois era um construtor de pontes, para unir famílias, facilitar suas locomoções, e sua missão era essa, na calada da noite fazia tudo rápido, com dotes divinos para que os povos se amassem, não tivessem ódios, não praticassem guerras, vivessem em paz, fossem todos irmanados pelo ideal do amor.
Viu então seu vizinho vindo para seu lado, com os braços abertos, lágrimas nos olhos e num abraço apertado, agradeceu seu coração bom, que queria paz e isso era também o que desejava, pois estava sofrendo juntamente com sua família, pois perderam suas referencias, a família vizinha que adoravam e por ela tinham um verdadeiro amor.
Tudo então se normalizou, a confraternização entre as duas famílias foi maravilhosa, todos com lágrimas nos olhos se abraçando, beijando, o ódio definitivamente indo embora e dali por diante viveriam sempre em paz, jamais se hostilizariam.
MORAL DA HISTÓRIA: Construir pontes em vez de muros, que separam povos, ideologias, crenças. Nada de guerras que destroem vidas, atentados que dilaceram corpos, principalmente de criancinhas, mães e pessoas idosas. Em vez de armamentos, distribuírem flores e pregarem sempre o amor para que os ódios sejam para sempre banidos na face da terra.
Jairo Valio – valio.jairo@gmail.com
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult. Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Imortal Monumento Cultural e Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos. Pelo Movimento Cultivista Brasileiro, o Prêmio Incentivador da Arte e da Cultura .

