
Náufrago
No ventre amargo da reclusão imposta,
Renova o conhecido sentimento de aposta,
O jogar xadrez numa escura e revelha arena,
Com a face da insânia em quarentena.
Mais parece um exílio ou um naufrágio,
O recolher voluntário na ilha do Eu,
Donde se escuta o interior adágio,
Que sussurra o tempo que se perdeu.
Amolda-se a sentença de morte,
Agora que já se obscureceu até o norte,
Os lados são os mesmos em distância,
Frágeis como a primeira e longa infância.
É uma ilha sem água ou resto de areia,
O náufrago não avista mar ou sereia,
Não há palavra ou sentimento mútuo,
Há o temor mudo do cárcere perpétuo.
Marcus Hemerly
marcushemerly@gmail.com
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Nasceu em Cachoeiro de Itapemirim/ES, em 1989. Formado em Direito, é servidor do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo. Dr.h.c em literatura. Autor das obras solo “Verso e Prosa: Excertos de Acertos”, “Versos e Anversos”, “Alvéolos da Alma”, e coautor em antologias poéticas e de contos. Membro de Academias Literárias, recebeu prêmios e comendas. Pesquisador independente de cinema, precipuamente sobre os temas “Cinema Marginal Brasileiro” e “Horror Italiano”, é colunista de cinema, contribuindo para sites e jornais eletrônicos.

