
Náufrago
No ventre amargo da reclusão imposta,
Renova o conhecido sentimento de aposta,
O jogar xadrez numa escura e revelha arena,
Com a face da insânia em quarentena.
Mais parece um exílio ou um naufrágio,
O recolher voluntário na ilha do Eu,
Donde se escuta o interior adágio,
Que sussurra o tempo que se perdeu.
Amolda-se a sentença de morte,
Agora que já se obscureceu até o norte,
Os lados são os mesmos em distância,
Frágeis como a primeira e longa infância.
É uma ilha sem água ou resto de areia,
O náufrago não avista mar ou sereia,
Não há palavra ou sentimento mútuo,
Há o temor mudo do cárcere perpétuo.
Marcus Hemerly
marcushemerly@gmail.com
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Natural de Cachoeiro de Itapemirim (ES). Formado em Direito, é servidor público do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo. Autor da obra solo Verso e Prosa: Excertos de Acertos e Versos e Anversos, e coautor em antologias poéticas e de contos, versando sobre terror, ficção policial e fantasia. Atua como membro de academias literárias, tendo recebido o título de Doutor honoris causa em Literatura, da Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA, e em projetos culturais. É colunista de cinema, contribuindo para saites e jornais eletrônicos, e pesquisador independente de cinema, principalmente sobre os temas Cinema Marginal Brasileiro e Horror Italiano.

