Augusto Damas ‘A história do jornalismo brasileiro’


O jornalismo brasileiro tem suas raízes profundamente ligadas aos movimentos políticos, culturais e institucionais que marcaram o início do século XIX. Sua trajetória começa oficialmente em 1808, com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, fato que possibilitou a instalação da imprensa no país.
Nesse contexto, surgiu a Gazeta do Rio de Janeiro, considerada o primeiro jornal oficialmente publicado em território brasileiro. Produzida pela Imprensa Régia, sua circulação era semanal e seu conteúdo atendia prioritariamente aos interesses da Corte portuguesa, funcionando como um instrumento de divulgação oficial. Entre seus primeiros responsáveis esteve o Frei Tibúrcio de Sousa Pereira, sucedido posteriormente por Manoel Ferreira de Oliveira, um dos primeiros jornalistas formados no Brasil.
Entretanto, sob o ponto de vista cronológico e crítico, o verdadeiro pioneiro da imprensa brasileira foi o Correio Braziliense, fundado também em 1808 por Hipólito José da Costa. Editado em Londres, o periódico circulava de forma clandestina no Brasil, driblando a censura vigente. Diferentemente da Gazeta, o Correio Braziliense apresentava uma linha editorial independente e opinativa, abordando temas políticos, econômicos e sociais com maior liberdade e espírito crítico — características que o aproximam do conceito moderno de jornalismo.
Já em 1821, com o abrandamento das restrições à imprensa, surgiram novos periódicos no Brasil, ampliando o espaço para o debate público. Entre eles, destaca-se O Diário, apontado como um dos primeiros jornais de circulação diária no país, contribuindo para a consolidação da imprensa como instrumento de informação contínua. Embora existam controvérsias quanto à sua direção e vinculação histórica com o escritor José de Alencar — figura posterior ao período —, o jornal representa um marco importante na evolução da periodicidade jornalística.
Ao longo do século XIX, a imprensa brasileira passou por um processo de expansão e diversificação, acompanhando os acontecimentos políticos como a Independência (1822), o Período Regencial e o Segundo Reinado. Os jornais tornaram-se espaços de disputa ideológica, formação de opinião e construção da identidade nacional.
Com o avanço tecnológico e a chegada do século XX, o jornalismo brasileiro se profissionalizou, incorporando novas técnicas de apuração, redação e impressão. No século XXI, a revolução digital transformou profundamente o setor, levando muitos veículos tradicionais à adaptação para plataformas online, ampliando o alcance e a velocidade da informação.
Assim, a história do jornalismo no Brasil revela não apenas a evolução dos meios de comunicação, mas também o desenvolvimento da própria sociedade brasileira, marcada pela busca constante por liberdade de expressão, pluralidade e acesso à informação.
Augusto Damas
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Augusto Antonio Carvalho Barreiros Damas, mais conhecido no meio cultural como Augusto Damas, natural de Petrópolis (RJ), e residente atualmente em Teresópolis (R), é escritor, poeta e jornalista. Fundador do extinto Jornal Projeto Solução; criador do Projeto Meta-Coeso; presidente de honra do Comitê de Imprensa de Teresópolis; presidente do tradicional e honorífico ‘Troféu Mulher de Pedra Jubileu de Ouro’ e membro fundador da Oficina de Poesia & de Criação. Autor do livro ‘Expoentes Teresópolis’. Recebeu Votos de Congratulação da Câmara Municipal de Teresópolis por seus relevantes serviços prestados à comunidade teresopolitana. Foi agraciado pela Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes – FEBACLA – com as seguintes honrarias: Título de Comendador pelas causas humanistas; Diploma de Paladino da Cultura; Diploma alusivo aos 150 anos de Migração Italiana ao Brasil e a Medalha Alusiva aos 150 anos de Nascimento de Santos Dumont.

