maio 22, 2026
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A aurora que te lembra

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Ella Dominici: ‘A aurora que te lembra’

Ella Dominici
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E quando o sol enfim romper a noite, restará de ti apenas o rumor suave que a manhã carrega — o sopro que abandona os frutos, a claridade que se desfaz como cintilação nas folhas. Eu, apaixonado e cansado da própria febre, deixo que tua ausência se instale em mim como ouro tênue: relâmpago que não volta, sombra que respira. E nesse clarão que se dissolve, descubro que te amar é perder-te devagar, como quem bebe a luz até o último gesto do dia.

E quando a manhã chega, simples e sem cerimônia, descubro que ficou de ti apenas um jeito de luz na janela, um silêncio macio espalhado pela casa. Não é dor; é lembrança viva, dessas que aquecem devagar, como quem toca a água morna antes de mergulhar. Carrego tua ausência com a mesma ternura com que te buscava, e percebo — meio distraído, meio desarmado — que amar também é aprender a guardar o que não volta, e mesmo assim continuar esperando.


Ella Dominici

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Rute Ella Dominici
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2 thoughts on “A aurora que te lembra

  1. Ella, se há algo que julgo extraordinário num texto é ele ser relativamente curto, mas dizer e expressar milhares de coisas e sentimentos que nos tocam a alma.

    Este texto, nesse sentido, é um paradigma!

    Você, com a Varinha de Condão de sua sensibilidade à flor da pele, transmuta a noite, como sinônimo de sofrimento, no amanhecer, como sinônimo de aceitação, Da amada, restou a presença com “um jeito de luz na janela, um silêncio macio espalhado pela casa”. A ausência dela não dói na alma do amante, mas a aquece e remanesce na espera física do que sabidamente não virá, mas que nele ecoará com “o rumor suave que a manhã carrega”!

  2. Que lindo e profundo comentário vindo de quem entende de sentimentos.
    Gratidão, nobre e querido amigo, Sérgio Diniz!

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