junho 17, 2026
Zurbarán en la National Gallery de Londres
João sonhador
Intrinsecamente
Grupo musical do GURI Sorocaba
Una nación, un método, dos poetas, dos mentalidades
Entrevista com o mestre romeno Gigi Căciuleanu
O que não conseguimos ver em Rothko
Últimas Notícias
Zurbarán en la National Gallery de Londres João sonhador Intrinsecamente Grupo musical do GURI Sorocaba Una nación, un método, dos poetas, dos mentalidades Entrevista com o mestre romeno Gigi Căciuleanu O que não conseguimos ver em Rothko

A aurora que te lembra

image_print

Ella Dominici: ‘A aurora que te lembra’

Ella Dominici
Ella Dominici

E quando o sol enfim romper a noite, restará de ti apenas o rumor suave que a manhã carrega — o sopro que abandona os frutos, a claridade que se desfaz como cintilação nas folhas. Eu, apaixonado e cansado da própria febre, deixo que tua ausência se instale em mim como ouro tênue: relâmpago que não volta, sombra que respira. E nesse clarão que se dissolve, descubro que te amar é perder-te devagar, como quem bebe a luz até o último gesto do dia.

E quando a manhã chega, simples e sem cerimônia, descubro que ficou de ti apenas um jeito de luz na janela, um silêncio macio espalhado pela casa. Não é dor; é lembrança viva, dessas que aquecem devagar, como quem toca a água morna antes de mergulhar. Carrego tua ausência com a mesma ternura com que te buscava, e percebo — meio distraído, meio desarmado — que amar também é aprender a guardar o que não volta, e mesmo assim continuar esperando.


Ella Dominici

Voltar

Facebook

Rute Ella Dominici
Últimos posts por Rute Ella Dominici (exibir todos)

3 thoughts on “A aurora que te lembra

  1. Ella, se há algo que julgo extraordinário num texto é ele ser relativamente curto, mas dizer e expressar milhares de coisas e sentimentos que nos tocam a alma.

    Este texto, nesse sentido, é um paradigma!

    Você, com a Varinha de Condão de sua sensibilidade à flor da pele, transmuta a noite, como sinônimo de sofrimento, no amanhecer, como sinônimo de aceitação, Da amada, restou a presença com “um jeito de luz na janela, um silêncio macio espalhado pela casa”. A ausência dela não dói na alma do amante, mas a aquece e remanesce na espera física do que sabidamente não virá, mas que nele ecoará com “o rumor suave que a manhã carrega”!

  2. Que lindo e profundo comentário vindo de quem entende de sentimentos.
    Gratidão, nobre e querido amigo, Sérgio Diniz!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Acessar o conteúdo