Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
’20 de maio. Dia da Marinha Portuguesa.
Altruísmo e espírito de missão


Servir na Armada Portuguesa, de facto, não era para qualquer pessoa.
Esta circunstância alimentou, e reforçou a autoestima de um jovem humilde, pobre, mas que não virou as costas a um sonho, lutou, correu atrás dele e venceu, sempre convicto de que seria capaz de atingir este primeiro desiderato na sua vida, foi um pouco como refere o adágio popular: “O homem sonha; Deus quer e a obra nasce”, neste caso, o projeto, concretiza-se.
Um de Abril de mil novecentos e sessenta e seis, data histórica, que prevalece na memória de um cidadão, hoje, pai e avô, que continua a orgulhar-se do privilégio de ter servido na Armada Portuguesa, com total empenho, desvanecimento incontido e, acima de tudo, um grande respeito pelos valores que continuam a orientar todas as pessoas, nas diversas especialidades, com as diferentes patentes e motivações, que excedem todas as expetativas, continuam a “Amar” a nossa Armada.
O lema que continua a orientar a vida deste cidadão: “A Pátria Honrae que a Pátria vos Contempla”.
A escolha, feita há sessenta anos, considera-a, ainda hoje, como sempre, a mais acertada, isto é: “servir a Armada Portuguesa, foi a forma que considerou a mais abnegada, de amar o seu país”, nada pedindo, então, em troca.
No dia um de Abril de mil novecentos e sessenta e seis (que não foi nenhuma mentira), aquele jovem sonhador apresentava-se no Corpo de Marinheiros no Alfeite, onde adquiriria todo o fardamento necessário, para, de imediato, e ainda no mesmo dia, receber a respetiva “Guia de Marcha” e dirigir-se para o Grupo Número Um de Escolas da Armada, em Vila Franca de Xira, onde se processaria a preparação militar dos mancebos, e também dos recrutas, que se prolongou até quinze de Julho DE MIL NOVECENTOS E SESSENTA E SEIS, data do “Juramento de Bandeira”, a que correspondia o fim da recruta.
O contingente de abril de mil novecentos e sessenta e seis era composto por mais de mil homens: cerca de quinhentos e cinquenta, mancebos voluntários, com dezassete/dezoito anos; os restantes, jovens recrutados na idade normal para o serviço militar, com vinte/vinte e um anos de idade.
Na época, cumprir o serviço militar na Armada Portuguesa, como de resto, nos restantes ramos das Forças Armadas, era, naturalmente, uma imposição que pendia sobre todos os jovens Portugueses, todavia, existia a outra alternativa, que já foi identificada: a emigração que, até ao vinte e cinco de abril de mil novecentos e setenta e quatro, era feita sob a “capa” da clandestinidade, com imensos riscos, incluindo perigo de vida, para os Portugueses que optavam por sair do país.
O cumprimento do serviço militar na Armada Portuguesa constituía e, continua a ser, uma incomparável “Escola de Vida Excecional”. Aqui se cultivavam os valores da solidariedade, da camaradagem, da lealdade, do humanismo, do respeito, da tolerância, da compreensão, da disciplina e da entreajuda; nela, na Armada, se cumprem: com rigor, profissionalismo e atualização, as diversas funções que cabem a cada mulher e a cada homem; neste ramo das Forças Armadas o “espírito de missão”, o altruísmo com que se realizam as gratificantes tarefas, por mais “penosas” que possam parecer, é uma constante e uma honra.
“A Pátria honrae que a Pátria vos Contempla”.
E não há que ter complexos ao se escrever, e/ou pronunciar a palavra “Pátria”, porque ela significa o Território, a Língua, a História, a Cultura, com as suas tradições, usos e costumes, os objetivos, enfim um Destino comum.
Tudo isto se defende no serviço militar, em geral e na Armada em particular.
É muito importante, para a formação da pessoa, verdadeiramente humana, que, as/os jovens Portugueses, cumpram um período, ainda que de alguns meses, de serviço militar, mesmo que seja em regime de voluntariado, sem prejuízo das suas atividades profissionais, pelo menos em tempo de paz, porque não há melhor escola na vida, do que tudo o que se aprende na Escola Militar.
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
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Natural de Venade, freguesia portuguesa do concelho de Caminha, é Licenciado em Filosofia – Universidade Católica Portuguesa; Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea – Universidade do Minho – Portugal e pela UNICAMP – Brasil; Doutorado em Filosofia Social e Política pela FATECBA; autor de 14 Antologias próprias: 66 Antologias em coedição em Portugal e no Brasil; vencedor do III Concurso Internacional de Prosa – Prémio ‘Machado de Assis 2015’, Confraria Cultural Brasil – Portugal – Brasil; Prêmio Fernando Pessoa de Honra e Mérito – Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas do Brasil’ 2016; Vencedor do “PRÊMIO BURITI 2016”; Vencedor do Troféu Literatura – 2017; Cargos: Presidente do NALAP – Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa;; Condecorações: Agraciado com a ‘Comenda das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker, Brasil’ (2017); Título Honorífico de Embaixador da Paz; Título Nobiliárquico de Comendador, condecorado com a ‘Grande Cruz da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral’ pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística; Doctor Honoris Causa en Literatura” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos. Título de Lorde – Mérito Cultural, outorgado pela Casa Real de Borgonha – Afonsina.

