julho 25, 2026
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Espelho

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Sergio Diniz da Costa: Poema ‘Espelho’

Sergio Diniz
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Quando o tempo tatuar meu corpo
Com as rugas da idade
E o espelho refletir minha imagem
Tão estranha aos ares da mocidade
O que verão meus olhos cansados?
Uma vítrea personagem sem alma
Dublando um resto de vida?
Uma alma esculpida em bronze
Afrontando, sobranceira,
O inevitável Mistério?

As linhas tão profundas
Sulcando minha matéria frágil
Aumentarão a luz
De minha candeia íntima
Transformando minh’alma
Prenhe de liberdade
Num candeeiro sem fim?

Ó Tempo, eterno coletor de débitos!
Que me cobrará teu aguçado desígnio?

Quando o Tempo tatuar meu corpo
Com as rugas da idade
E minha imagem diluída no espelho
Perder o alento de quem se mira
Indagarei aos anos idos:
Que espectro me reveste o presente:
Anjo ou demônio?

Quando o Tempo tatuar meu corpo
Com as rugas da idade
E no espelho não houver imagem
Que me cobrará a Vida?
Com que peso ou leveza
A Pena da Eternidade
Lavrará minha sentença?


Sergio Diniz da Costa

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6 thoughts on “Espelho

  1. Estupendo, a linguagem abraçada à emoção, em rimas timbraram um manifesto universal, de nossa fragilidade!
    Parabéns querido Sérgio, por seu brilhante poema!

  2. Um poema que nos sensibiliza e nos faz refletir sobre o inevitável fim…

    “… Que me cobrará a Vida?
    Com que peso ou leveza
    A Pena da Eternidade
    Lavrará minha sentença?”

    Lindo demais! Parabéns, caríssimo!

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