UBE RJ: breve histórico e a atual presidente Luiza Lobo

A criação da União Brasileira de Escritores ocorreu em 27 de agosto de 1958. Originou-se da Associação Brasileira de Escritores (ABDE), que, fundada em 1942, visava a regulamentar o ofício de escritor. Nota-se que tais associações – assim como o extinto Sindicato de Escritores – tinham como objetivo a proteção de classe. O Sindicato estava vinculado à Casa de Cultura Lima Barreto, ambas sob a presidência do primeiro presidente do Sindicato: o advogado e bibliófilo Plinio Doyle.
Eram momentos getulistas-mussolinianos, autoritários, numa época em que os sindicatos se organizavam de forma obrigatória, buscando dar uma função social à atividade exercida de forma individual pelo escritor. Com esse contexto, a Associação Brasileira de Escritores (ABDE) sofreu com essas intensas disputas políticas, especialmente entre 1947 e 1949, quando houve embate entre membros de direita e de esquerda, em 1949.
Ainda persistiu até o final da década de 1950, mas muito enfraquecida. Foi com isso que se criou, em 1958, a União Brasileira de Escritores (UBE), que absorveu seus ideais. Vale ressaltar que o Estatuto proíbe manifestações políticas extremadas, dedicando-se à literatura, à cultura, à ciência e à filosofia. Participaram da fundação, em 27 de agosto de 1958, no Pen Clube, este sob a presidência de Celso Kelly, os seguintes intelectuais: Peregrino Júnior (presidente), Jorge Amado (primeiro vice-presidente), Eduardo Portella, Dinah Silveira de Queiroz, Orígenes Lessa, Raimundo Magalhães Júnior, Stella Leonardos, Antonio Callado e Afrânio Coutinho. Estabelecida a UBE-RJ, os presidentes foram: 1858-1963 – Peregrino Júnior; 1964-1965: Josué Montello; intervalo entre 1966-1974; 1975-1978: Peregrino Júnior; 1979-1980: Octavio de Faria; 1981-1983: Peregrino Júnior; 1984-1999: João Fagundes de Menezes; 2000-2001: Geraldo de Menezes (interino); 2002-2004: Geraldo de Menezes; 2005-2006: Tobias Pinheiro; 2007-2008 e 2009-2010: Edir Meirelles; 2011-2012: Abílio Kac; 2013-2014: Lúcia Regina de Lucena; 2015-2016 e 2017-2018: Juçara Valverde; 2019-2020: Márcia Barroca; 2021-2022 e 2023-2024: Eurídice Hespanhol; 2025 (29-09) até o presente: Luiza Lobo.
Fato relevante na vida da UBE-RJ foi a criação do I Festival do Escritor Brasileiro, no ano de comemoração do cinquentenário da instituição, portanto em 2008, no Shopping dos Antiquários, da rua Siqueira Campos, em Copacabana. Vários estandes foram montados, com grande apoio de intelectuais, da Academia Brasileira de Letras, do Pen Clube do Brasil e da livraria São José (situada no número 38 dessa rua), propriedade do Sr. Carlos Ribeiro, apelidado gentilmente de “Mercador de livros”.
Também, no ano de 2008, a UBE-RJ realizou, sob a presidência de Edir Meireles, o I Congresso Brasileiro de Escritores, que ocorreu na faculdade CCAA, Centro Cultural Anglo-Americano, sob orientação do Prof. Dr. Leodegário de Azevedo Filho e de Lourdes Pacheco.
Além disso, criou a revista Renovarte. Este ano, o número 15 está sendo preparado, sob a minha presidência, com novo Conselho Editorial, composto pelos seguintes professores escritores: Edir Meirelles, Ivan Cavalcanti Proença, Cecy Barbosa Campos; Teresa Cristina Meireles de Oliveira; Renata Barcellos; Alcmeno Bastos e Deonísio da Silva.
Em que pesem todas essas realizações, graças ao espírito filantrópico e abnegado de seus presidentes e respectivas equipes da direção da UBE-RJ, a instituição padece de duas grandes dificuldades: deixou de ser a matriz nacional, quando São Paulo registrou antes seu CNPJ, tornando-se a sede nacional da instituição, e a falta de sede oficial.
A UBE-RJ passou a ser uma seção regional, do Rio de Janeiro, embora seu CNPJ também seja de matriz. Aos poucos, o Rio de Janeiro vai perdendo seu prestígio, desde o ano 1960, com a transferência da capital da República. A UBE RJ até hoje não tem sede. Suas atividades mensais (sempre na última segunda-feira do mês) ocorrem no auditório da Secretaria Nacional de Agricultura (localizado na rua General Justo, 171, no Centro do Rio de Janeiro). Agradecemos ao atual presidente, sr. Antonio Alvarenga, por dar continuidade a um acordo feito por seu pai (escritor Octavio Mello Alvarenga).
Este foi apresentado ao presidente de honra da UBE RJ, Edir Meireles pelo advogado Bráulio Maciel. Segundo Luiza Lobo, a PRESIDÊNCIA DA UBE foi aceita sem ela “ter perfeita noção do que significa, no Brasil, do ponto de vista burocrático, um tal cargo. Há uma quantidade de exigências legais, editais, publicações, procurações, registros em cartório, para cada uma das atividades, seja uma simples eleição até uma atualização do Estatuto.
Toda a contadoria obedece a um ritual inacreditável, desnecessário, dado o caráter filantrópico da instituição, como se fosse uma empresa. Agrava tudo isso o fato de tudo ser feito digitalmente, sem contato humano com bancos e instituições. A presidência é um cargo administrativo. No Brasil, sempre foi exercido por homens, os quais também conduzem a crítica literária, dirigem editoras, jornais, meios de comunicação de massa, cargos superiores no magistério e na magistratura.
Pergunto-me se não foi por grande sabedoria, para evitar esse confronto, que a poetisa Stella Leonardos preferiu, durante 50 anos, exercer a atividade de secretária-geral, sem jamais se candidatar a presidente – e teria sido eleita por unanimidade.
Vale ressaltar que examinando a lista dos 16 presidentes da UBE seção Rio de Janeiro, desde o ano de sua fundação, em 1958, até o presente momento, vemos que, apenas em 2013, em pleno século XXI, a primeira mulher tomou posse: a advogada e poetisa Dra. Lucia Regina de Lucena. Foram apenas cinco mulheres presidentes, portanto um terço do total, em que pese a grande maioria de associadas mulheres na UBE RJ. Mesmo hoje, nosso auditório é praticamente composto de mulheres.
Entretanto, dos 62 associados efetivos e em dia com as suas anuidades, apenas 38 são mulheres. A que se deve esse fenômeno? Concluindo, a importância de estar à frente da UBE RJ, é visar a sua organização, tentar promover eventos coletivos, em feiras e bienais, divulgá-la em jornais disponíveis, que são poucos, e nos meios digitais, pois, a meu ver, a UBE RJ não é uma academia, que elege personalidades insignes, influentes, em geral, homens.
É uma associação democrática, aberta, conforme seu nome indica, “União”, que deriva do inglês “Union”, sindicato, análoga ao Sindicato de Escritores do Município do Rio de Janeiro. Meu objetivo é divulgar o coletivo, através de concursos, oportunidades, publicar as obras de seus associados na revista Renovarte, promover o saber pelas conferências e mesas redondas mensais. Planos não faltam, o difícil é realizá-los. Daí, também, a reforma do Estatuto, que estou promovendo, buscando uma equipe menor e mais atuante”.
Renata Barcellos
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Natural do Rio de Janeiro (RJ), é pós-doutora em Língua Portuguesa e em Literatura Brasileira pela UFRJ e professora da Educação Básica à Superior. É membro de diversos sodalícios: APALA, ALAP, AJEB RJ, SCLB MA, AMT, AOL, ABRASCI, ABRAMIL, Pen Clube; membro correspondente do Instituto Geográfico de Maranhão, da Academia Maranhense de Letras e da Academia Vianense de Letras. Membro dos grupos de pesquisa GELMA e do Formas e Poética do Contemporâneo – ForPOC (CNPq/ UFMA/ CCEL). Fundadora do Barcellartes. Escreve matérias e entrevistas para o saite Facetubes, para o Jornal Terra da Gente e A voz do Escriba e para revistas como 7 Literário News, LiterArte SP, Revista Sarau e Voo livre.

