
O homem da roça perdeu o encanto
Hoje a roça está triste, não vejo mais a alegria em seu entardecer.
O cabo da enxada perdeu espaço para a capina química, a junta de boi para o arado mecânico, e a ordenha então? Nem tem comparação, aquele contato quente e apaixonante do homem ordenhando o animal, perdeu o encanto, pois a ordenha mecânica trouxe a frieza do capitalismo para as tetas da vaca.
O entardecer perdeu o encanto e trouxe a tristeza, pois não ouvimos mais a algazarra dos pássaros ao cair da noite, muitos pássaros morrem no contato de remédios químicos que cuidam da saúde animal e das plantações.
O mesmo cair da noite trouxe a frieza na ausência da fumaça da chaminé, sinal de boa conversa ao redor do fogão a lenha, sinal de família inteira reunida e amigos proseando.
Hoje a chapa de ferro encontra-se gelada. O fogão já não tem o cheiro e barulho da madeira em combustão, a cozinha não tem o cheiro do bom feijão caipira, com a couve refogada na banha de porco e o torresmo fritando em repouso na chapa negra e quente.
O homem do campo perdeu o encanto, com ele a minha alegria rural foi sepultada, perdi o exemplo de vida no aconchego do calor humano da roça.
Hoje as máquinas tomaram o campo, pequenas e grandes extensões de terras viraram empresas capitalistas que derrubam o que, ou, quem que se impõem em sua frente, tudo em nome do orgulho.
Valores perderam o sentido, pelo qual família inteira se dedicavam uns aos outros, e todos em prol à cultura caipira, na labuta sofrida, mas humanitária, onde todos amavam todos, e a irmandade era sagrada.
Valores se perderam por este mundo moderno, que o homem do campo não é mais do campo, e sim, da cidade que vai ao campo como impostores, que sugam do seio da terra o orgulho de se mostrarem bem sucedidos, sem fazerem questão de deixarem os animais em pequenos espaços, como bibelôs que só servem para retirarem a seiva da vida.
A roça já não tem a capina de compadres, a correria das crianças, a imparcialidade da família.
O homem do campo perdeu o encanto, e com ele levou o meu orgulho por ter a origem caipira.
Leandro Campos Alves
leandrocalves@hotmail.com
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Pesquisador em Artes e Literatura; Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Imortal Monumento Cultural e Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos. Pelo Movimento Cultivista Brasileiro, o Prêmio Incentivador da Arte e da Cultura,


