
Do Idílio ao Exílio
Num rompante tórrido uma face desponta,
Mente cansada, tímida, remonta,
Um passado que não se fez presente,
Enamoramento trágico, torna-se ausente.
Um silvo que da memória emana,
Ribombar constante, torna-a insana,
Evadir consciente da fria lucidez,
Ao proditor conforto da imposta surdez.
O lábio calado, um nome não mais repete,
Apenas ao tempo, ao nada, ao tudo promete,
Cessar a entrega constante, circular divagação,
Aos poucos, rende-se à cadente expiação.
O laivo de lembrança, rebelado, se inflama,
De inopino, a saudade novamente proclama,
A entrega covarde ao exílio existencial,
Evoca aquele ilícito beijo da musa espectral.
Marcus Hemerly
marcushemerly@gmail.com
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Nasceu em Cachoeiro de Itapemirim/ES, em 1989. Formado em Direito, é servidor do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo. Dr.h.c em literatura. Autor das obras solo “Verso e Prosa: Excertos de Acertos”, “Versos e Anversos”, “Alvéolos da Alma”, e coautor em antologias poéticas e de contos. Membro de Academias Literárias, recebeu prêmios e comendas. Pesquisador independente de cinema, precipuamente sobre os temas “Cinema Marginal Brasileiro” e “Horror Italiano”, é colunista de cinema, contribuindo para sites e jornais eletrônicos.

