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abril 03, 2025
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Torres de Babel

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Marcelo Augusto Paiva Pereira: ‘Torres de Babel’

Marcelo A. Paiva Pereira
Marcelo A. Paiva Pereira
Imagem criada por IA no Bing – 21 de março de 2025,
às 15:15 PM

Desde os tempos antigos a humanidade tem o desejo de construir grandes obras. As pirâmides e a esfinge do Egito, os templos gregos e romanos, as estátuas gigantes de Buda no Afeganistão e outros, são exemplos. Dentre estes, destaca-se a Torre de Babel, narrada no Livro do Gênesis (Gn, 11, 1-9).

Diferentemente das anteriores obras (que glorificavam os deuses), aquela tinha a finalidade de honrar a engenharia e a soberba humana, então unida por um só idioma e concentrada num só lugar. Deus não gostou, destruiu a torre, dispersou a humanidade e embaralhou os idiomas para que as pessoas não mais se entendessem.

De lá para cá a soberba continuou a existir, mesmo debaixo da diversidade de idiomas. Em vários países as culturas e religiões não acolhem com bons olhos a soberba, orgulho ou vaidade, dentre as quais a cultura ocidental, fundada na religião judaico-cristã, que a classifica entre os sete pecados capitais.

Atualmente testemunhamos a construção de edifícios cada vez mais altos, os quais disputam mais do que a engenharia de construção; também concorrem quanto ao estilo mais arrojado (ou mais moderno), o maior número de andares, apartamentos, salas comerciais e áreas de lazer, numa frenética corrida em que o céu não parece ser o limite.

A soberba perdeu os freios inibitórios trazidos pelas religiões e tomou conta do espaço urbano de diversas cidades. São exemplos desses edifícios o ‘Burj Khalifa’ (828 metros), ‘Shangai Tower’ (632 metros), ‘Ping An Internacional Finance Center’ (599 metros) e outros. Paralelamente, porém, tais edifícios têm colaborado para adensar a população em espaços urbanos com menor extensão horizontal e, por consequência, favorecer a expansão do meio ambiente natural onde antes havia (ou haveria) obras arquitetônicas ou urbanísticas.

As cidades que acolheram aqueles edifícios deverão se adaptar aos novos tempos; além da concentração de habitantes, também deverão favorecer a diminuição do uso de veículos, tanto particulares quanto públicos, redução da emissão de gases poluentes e melhor aproveitamento das energias limpas, como a solar e a eólica.

O aumento das áreas verdes favorece a absorção de gás carbônico pelas plantas, melhora os índices de umidade do ar, contribui para regular os períodos chuvosos e a intensidade das chuvas, além de assegurar a reprodução dos animais silvestres. As cidades que assim dispuserem seus planos urbanos ou propuserem novos projetos urbanísticos (paisagísticos) colaborarão para melhorar a qualidade de vida e garantir a sobrevivência dos habitantes, em face da degradação continuada do meio ambiente natural.

Conclusivamente, se a soberba nos faz ficar com as cabeças nas nuvens, melhor que finquemos os pés no chão para não desabarmos sobre nós mesmos: as atuais torres de babel têm concorrido para exaltar a soberba de nações, empresas e técnicas avançadas de construção civil, mas atingiram interesses difusos, dos quais o meio ambiente natural e suas derivadas. Não percamos este foco das nossas vistas. Nada a mais.


Marcelo Augusto Paiva Pereira

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Sergio Diniz da Costa
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