Marcelo Augusto Paiva Pereira: ‘Torres de Babel’


às 15:15 PM
Desde os tempos antigos a humanidade tem o desejo de construir grandes obras. As pirâmides e a esfinge do Egito, os templos gregos e romanos, as estátuas gigantes de Buda no Afeganistão e outros, são exemplos. Dentre estes, destaca-se a Torre de Babel, narrada no Livro do Gênesis (Gn, 11, 1-9).
Diferentemente das anteriores obras (que glorificavam os deuses), aquela tinha a finalidade de honrar a engenharia e a soberba humana, então unida por um só idioma e concentrada num só lugar. Deus não gostou, destruiu a torre, dispersou a humanidade e embaralhou os idiomas para que as pessoas não mais se entendessem.
De lá para cá a soberba continuou a existir, mesmo debaixo da diversidade de idiomas. Em vários países as culturas e religiões não acolhem com bons olhos a soberba, orgulho ou vaidade, dentre as quais a cultura ocidental, fundada na religião judaico-cristã, que a classifica entre os sete pecados capitais.
Atualmente testemunhamos a construção de edifícios cada vez mais altos, os quais disputam mais do que a engenharia de construção; também concorrem quanto ao estilo mais arrojado (ou mais moderno), o maior número de andares, apartamentos, salas comerciais e áreas de lazer, numa frenética corrida em que o céu não parece ser o limite.
A soberba perdeu os freios inibitórios trazidos pelas religiões e tomou conta do espaço urbano de diversas cidades. São exemplos desses edifícios o ‘Burj Khalifa’ (828 metros), ‘Shangai Tower’ (632 metros), ‘Ping An Internacional Finance Center’ (599 metros) e outros. Paralelamente, porém, tais edifícios têm colaborado para adensar a população em espaços urbanos com menor extensão horizontal e, por consequência, favorecer a expansão do meio ambiente natural onde antes havia (ou haveria) obras arquitetônicas ou urbanísticas.
As cidades que acolheram aqueles edifícios deverão se adaptar aos novos tempos; além da concentração de habitantes, também deverão favorecer a diminuição do uso de veículos, tanto particulares quanto públicos, redução da emissão de gases poluentes e melhor aproveitamento das energias limpas, como a solar e a eólica.
O aumento das áreas verdes favorece a absorção de gás carbônico pelas plantas, melhora os índices de umidade do ar, contribui para regular os períodos chuvosos e a intensidade das chuvas, além de assegurar a reprodução dos animais silvestres. As cidades que assim dispuserem seus planos urbanos ou propuserem novos projetos urbanísticos (paisagísticos) colaborarão para melhorar a qualidade de vida e garantir a sobrevivência dos habitantes, em face da degradação continuada do meio ambiente natural.
Conclusivamente, se a soberba nos faz ficar com as cabeças nas nuvens, melhor que finquemos os pés no chão para não desabarmos sobre nós mesmos: as atuais torres de babel têm concorrido para exaltar a soberba de nações, empresas e técnicas avançadas de construção civil, mas atingiram interesses difusos, dos quais o meio ambiente natural e suas derivadas. Não percamos este foco das nossas vistas. Nada a mais.
Marcelo Augusto Paiva Pereira
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Augustíssima e Soberana Casa Real e Imperial dos Godos de Oriente, Conde; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro, Comenda Ativista da Cultura Nacional; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Doutor Honoris Causa em Literatura, Ciências Sociais e Comunicação Social. Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos.