março 22, 2026
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Influência maçônica nas Literaturas Brasileiras

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Renata Barcellos e Raimundo Campos Filho

‘Influência maçônica nas Literaturas Brasileiras’

Raimundo Campos Filho, Renata Barcellos e Jorge Eduardo Magalhães
Raimundo Campos Filho, Renata Barcellos e Jorge Eduardo Magalhães

A maçonaria nasceu como organização de ajuda mútua e, ao longo do tempo, constituiu-se também como espaço de sociabilidade, oferecendo rede de apoio político, social e simbólico a seus membros e à sociedade. A maçonaria moderna surgiu em 1717, na Inglaterra, com a fundação da Grande Loja de Londres, marcando a transição das guildas de pedreiros medievais (maçonaria “operativa”) para uma sociedade filosófica e filantrópica.

    Por convenção, muitos pesquisadores do tema adotaram como marcador histórico maçônico a Constituição de Anderson (elaborada na segunda metade do século XVIII). O documento é um compilado de registros maçônicos que reúne informações relativas aos direitos e deveres dos iniciados. A Constituição de Anderson regula os Franco-Maçons desde 1723 e é considerado o principal documento e a base legal da Maçonaria Especulativa que, aos poucos, foi substituindo os preceitos tradicionais que até aquele momento regulavam as atividades da Maçonaria Operativa.

    Embora os autores brasileiros não tenham criado personagens abertamente maçons com frequência, a temática e os ideais da maçonaria influenciaram o contexto histórico no qual as Literaturas Brasileiras foram produzidas, principalmente no período do Império. Escritores como Machado de Assis e Jorge Amado mesmo não sendo comprovado o vínculo como maçons, suas obras e contextos estão relacionados ao ambiente cultural no qual a maçonaria se desenvolveu no Brasil. Sendo assim, no que se refereao Machado de Assis: trata-se de um dos maiores mistérios das Literaturas Brasileiras. Não há um documento que comprove a iniciação do escritor. Entretanto, há evidências de que Machado era um profundo conhecedor ou um ‘maçom sem avental’. Obras como Esaú e Jacó, com seus personagens e a tábua de logosofia, são repletos de simbolismo maçônico. Além disso, ele era amigo íntimo de maçons notórios, como o Visconde do Rio Branco.                                                                                                                

    O bruxo do Cosme Velho, escritor brasileiro, considerado por muitos, o maior nome das Literatura Brasileiras. Ele escreveu romances, contos e crônicas. Em uma série denominadas “Balas de Estalo” (1883), escritas sob o pseudônimo de “Lélio”, ele conta que recebeu uma correspondência remetida pela Maçonaria (correspondència do Grande Oriente do Brasil). Como considerou “muito estranho” a forma da escrita em abreviaturas, este escreve:


“Como por uma grat∴ sup∴ Suponho que o leit∴ não é maç∴ Não me dig∴ que é, porque não prec∴ que não seja, para saber se, não sendo, recebeu também uma folh∴ cor de tijolo, contendo os estat∴ de uma Assoc∴ de Benf∴ e Previsão do Gr∴ Or∴ do Br∴ … – [… ] Assim, por exempl∴ o § 8 do art. III diz que farão parte dos fundos da assoc∴ “todos os metais e mais valores existentes nas oficinas que, por qualquer motivo, abaterem colunas”. Eu suponho que todos os maç∴ sabem o que isto quer dizer; mas, em suma, eu não sou maç∴ e, se me mandaram…”.                                                                                           

     Já o poeta dos escravos, Castro Alves, emprestou sua genialidade à causa da abolição, um ideal fortemente defendido pela Maçonaria no Brasil. Sua participação na irmandade reforçou seu compromisso com a liberdade e a igualdade. Registros históricos apontam sua iniciação na “Loja Amizade e Segredo” em São Paulo.

Autores maçons:

    Além da representação em obras de ficção, a própria biografia de escritores brasileiros pode ter conexões com a maçonaria, mesmo que a afiliação não se reflita diretamente em seus personagens.

Da Camino: maior escritor Maçônico Brasileiro – Eterno Mestre Maçom Gaúcho. De juiz a escritor, Da Camino é reconhecido como uma das maiores figuras da Maçonaria brasileira, deixando um vasto legado literário e uma carreira que inspirou gerações. Com mais de 60 obras publicadas, muitas delas essenciais para o estudo da Maçonaria. Entre suas mais renomadas publicações, destacam-se títulos como “A Maçonaria”, “O Maçom e a Intuição”, “Dicionário Filosófico de Maçonaria” e “Simbolismo do 1º Grau – Aprendiz”. Seu trabalho refletia sua profunda compreensão dos mistérios maçônicos, da ritualística e da filosofia que permeia a prática maçônica. Sua produção literária continua a ser um importante referencial para estudiosos e praticantes da Maçonaria no Brasil e no mundo.

Joaquim Nabuco: o escritor abolicionista e diplomata foi maçom. Apesar disso, o foco de sua obra literária e política era o abolicionismo, não a maçonaria.

José do Patrocínio: jornalista e escritor, foi uma figura importante do movimento abolicionista no Brasil. 

Luiz Gama: o poeta e advogado abolicionista também era maçom. Seus textos e poemas defendiam a causa abolicionista e os direitos civis, ideais que eram compatíveis com a atuação de alguns setores da maçonaria. 

Rui Barbosa: advogado, jornalista e escritor, é uma figura central na história do Brasil e membro da maçonaria. 

Tomás Antonio Gonzaga: poeta e jurista, autor de “Marília de Dirceu”, é considerado um dos grandes nomes do Arcadismo brasileiro e, como muitos de sua época, era maçom. 

Zildo Pacheco: um dos grandes nomes da literatura maçônica no Brasil. O escritor ocupa a cadeira nº 7 da Academia Maçônica Brasileira. Autor de diversas obras que abordam a filosofia, a história e os ritos da Maçonaria. Seus trabalhos, como o Volume XXVI “Explorando a Filosofia da Ordem”, são considerados importantes para o estudo e aprofundamento dos irmãos maçons. 

Comparação com a literatura estrangeira

A ausência de personagens maçons explícitos nas Literaturas Brasileiras contrasta com a abordagem de autores estrangeiros, que, frequentemente, incorporavam o tema em suas obras.

Alexander Pushkin: maior poeta da Rússia, considerado o fundador da literatura russa moderna, foi iniciado na Maçonaria durante seu exílio em Quichinev. Seus ideais de liberdade e seu espírito rebelde encontraram eco nos círculos maçônicos, que na época eram vistos com suspeita pelo regime czarista. Há registros de sua filiação à Loja “Ovídio nº 25”, em Quichinev (hoje na Moldávia).

Arthur Conan Doyle: criador do detetive mais lógico da literatura, Sherlock Holmes, era um homem fascinado pelo misticismo e pela espiritualidade. Conan Doyle foi um maçom ativo e via na ordem uma irmandade que promovia a moralidade e a caridade. Embora Holmes seja um personagem puramente racional, a vida de seu criador era rica em interesses esotéricos. Registros da “Phoenix Lodge No. 257” em Southsea, Inglaterra e diferentes biografias sobre o autor sustentam sua participação na maçonaria.

Johann Wolfgang von Goethe: gênio alemão, autor de Fausto, foi um maçom ativo e dedicado. Ele via na ordem uma via para o aperfeiçoamento moral e espiritual do ser humano. Muitos analistas veem um profundo simbolismo maçônico em suas obras, especialmente em Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister, que descreve a jornada de um jovem em busca de conhecimento e autodesenvolvimento. Registros da Loja “Amalia” em Weimar, Alemanha, indicam que Goethe foi membro a partir de 1780.

Mark Twain: O icônico escritor americano, autor de As Aventuras de Huckleberry Finn, foi um maçom durante boa parte de sua vida. Embora tenha se afastado em seus últimos anos, suas cartas e discursos mostram familiaridade com os ritos e ideais da ordem. Ele foi membro da Loja “Polar Star Lodge No. 79” no Missouri.

Oscar Wilde: O brilhante e controverso autor de O Retrato de Dorian Gray teve uma passagem pela Maçonaria durante seus anos de estudo. Ele foi iniciado em Oxford e parece ter se interessado pelos aspectos ritualísticos e estéticos da ordem, embora sua participação não tenha sido duradoura. Registros da “Apollo University Lodge No. 357” da Universidade de Oxford tratam de sua participação na Ordem.

Rudyard Kipling e Leo Tolstoy: escritores estrangeiros são conhecidos por explorar o ritual e o simbolismo maçônico em obras como O Homem Que Queria Ser Rei e Guerra e Paz

Voltaire: filósofo e escritor francês, um dos maiores nomes do Iluminismo, foi iniciado na Maçonaria em seus últimos dias. Sua iniciação foi um evento lendário, com a presença de figuras como Benjamin Franklin. Para Voltaire, a Maçonaria representava a materialização dos ideais de liberdade, tolerância e combate ao fanatismo que ele defendeu por toda a vida. Registros históricos da Loja “Les Neuf Sœurs” (As Nove Irmãs) em Paris, confirmam sua iniciação em 7 de abril de 1778.                                                    

Essa distinção reflete a particularidade da maçonaria no Brasil, que teve um papel mais discreto na cultura popular. Mas influente na política e na história, em contraste com a maneira como a irmandade foi retratada em outros países. Existem pesquisadoras e autoras que escrevem sobre a Maçonaria, como Eliane Lucia Colussi, autora do livro A maçonaria brasileira no século XIX. Na atualidade, há escritores maçom como:

   Zara Paim de Assis (membro da Ordem dos Capelões, presidente da Academia Mundial pela Paz, Letras e Artes, do Instituto Brasileiro de Culturas internacionais. Membro de diversas Academias de Letras, já obteve prêmios literários. Publicou poemas, crônicas, ensaios, artigos de opinião em antologias e periódicos. Ensaios em Coletâneas brasileiras, portuguesas, francesas e italianas) que não aborda questões referentes à maçonaria. Em 2013, escreveu o ensaio “Gonçalves Dias”, o Romantismo e seus poemas amorosos”. Em 2016, o ensaio “José Bonifácio de Andrada e Silva” com o título: “Sesquicentário de Euclides da Cunha – Esboço de sua trajetória”…  

    E Jorge Eduardo Magalhães (membro da Grande Loja: Baden Powell VII 35, professor, ensaísta, romancista, contista, cronista e autor teatral, colunista do Portal Polo de Notícias e apresentador do quadro Baú do Samba, programa SAMBA À VERA. Fomentador da Cultura Carioca, é diretor da harmonia da Sociedade Recreativa Escola de Samba Lins Imperial membro de diversas Academias de Letras…) escreve artigos e já ganhou concursos Literários, por exemplo, com o artigo Graciliano Ramos e José Lins do Rego: adaptações para o cinema e a televisão, texto teatral Uma janela para Euclides…

Renata Barcellos e Raimundo Campos Filho

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Renata da Silva de Barcellos
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