Márcio José Zacarias: Poema ‘Vozes caladas’


Na rua vazia, há gritos no chão,
Sonhos quebrados, pedindo atenção.
Olhares que clamam por pão e abrigo,
Contudo o mundo apressa-se, segue consigo.
A pele marcada, a fome exposta,
A vida negada, a dor que encosta.
Muros erguemos, pontes esquecemos,
E a indiferença é o que mais mantemos.
A justiça adormece em berço de lei,
Enquanto o pobre pergunta: “E eu, onde fiquei?”
Se cada gesto tivesse coragem,
O mundo seria menos selvagem.
Causas são vidas, não estatística fria;
Só há mudança onde há empatia.
Márcio José Zacarias
- O mapa que chorava - 28 de janeiro de 2026
- Vozes caladas - 6 de janeiro de 2026
Natural de Tupã (SP), conhecido no meio literário como Arthur Souto, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a arte e a palavra como instrumento de transformação social. É graduado em Pedagogia, Letras, Artes, Educação Física e História, além de especializações em Alfabetização e Letramento, Neuropsicopedagogia, Matemática, Educação Inclusiva e Produção Textual. Atuou na Educação Infantil, no Ensino Superior e, atualmente, é professor efetivo do Ensino Fundamental I Como escritor, é autor de diversas obras que transitam entre a literatura infantil, a poesia e o romance, com destaque para Pé de Menina, A Fada do Pix — vencedora do Prêmio Ecos da Literatura 2024 como melhor livro original —, O Tumbeiro — eleito Melhor Romance de 2024 pelo Prêmio Book Brasil e finalista do Prêmio Pluma de Ouro—, Minha vida em versos e flores, Tonha, a Barraqueira. Seu trabalho literário e educacional já lhe rendeu homenagens pela Câmara de Vereadores das cidades de Tupã e Sorocaba. É membro da Academia Independente de Letras e da NAISLA – Núcleo Accademia Italiano di Scienze, Lettere e Arti, além de colaborar como escritor da Revista Adupé. Márcio José Zacarias acredita na palavra como ponte entre saberes, emoções e realidades.


Enquanto a empatia para as pessoas que podem praticá-la for apenas um verbete a mais do dicionário, Márcio,
essas vozes continuarão caladas!
Um convite a refletir sobre vidas a beira do abismo, para além disso, ter empatia e fazer o que é possível para haver mudança: complexa e estrutural que é.
Este é um poema muito interessante!
Muito bom!
Um poema necessário e corajoso, que transforma silêncio em denúncia. “Vozes Caladas” nos lembra que ainda é urgente enxergar pessoas, que dá voz a quem quase nunca é ouvido e nos convida a olhar com mais humanidade para a dor do nosso tempo.
Linda reflexão da realidade em que a humanidade ainda vive