março 17, 2026
Sensação de impotência
Um certo professor Jordão
Céu azul
Sketch Art Regional
When strangers help
O julgamento do frango
Dia Mundial da Poesia
Últimas Notícias
Sensação de impotência Um certo professor Jordão Céu azul Sketch Art Regional When strangers help O julgamento do frango Dia Mundial da Poesia

Um certo professor Jordão

image_print

Jorge Facury: Crônica ‘Um certo professor Jordão’

Jorge Facury
Jorge Facury
Imagem gerada pelo ChatGPT – https://chatgpt.com/c/69b95861-d7fc-83e9-8edb-be9a4d66939d

Estava na adolescência. Aula de educação física na escola Industrial ‘Sales Gomes’ da seresteira Tatuí.

Tarde de calor, daquelas de rachar mamona! Estávamos em uma atividade pra lá de esgotante e saí rapidamente para tomar um pouco de água numa torneira num ponto da quadra. Nem tinha começado a beber quando senti alguém me abraçando. Era o professor de educação física, chamado Jordão, uma montanha de músculos com aspecto imponente, que me abordou.

Não era um abraço confortante, mas, ameaçador. Ele disse:

– Está com sede? E emendou:  – Acaso eu disse que podia tomar água?

Bem, ninguém me disse que era proibido! Se houvesse uma ordem expressa nesse sentido, com certeza eu gravaria, mas, não lembro disso. Foi naquela surpresa da presença abrupta dele que logo me vi sentenciado a 25 flexões de braço para ‘aprender’ a não desobedecer a sua autoridade.

A atmosfera educacional da época ainda se via aguilhoada pela cartilha militar. Sofri para fazer aquelas flexões sem ter matado a sede. Na mesma semana, o diretor me chamou à Diretoria. Queria saber se acaso era eu que assinava uma coluna no jornal INTEGRAÇÃO que ele acabara de ler e estava sobre sua mesa. Confirmei. Ele me deu parabéns. Jordão estava presente e, com certa surpresa, dirigiu-se a mim, inquirindo:

– Então é esse o seu negócio?

Só fiz sinal positivo com a cabeça, pois ele me inspirava certo temor. Ele deve ter pensado: “Como esse moleque fracote escreve assim, pra jornal?”

Afinal, eu tinha apenas 16 anos e escrevia sobre Ufologia e outros assuntos, numa coluna generosamente ofertada pelo editor José Reiner Fernandes.

O homenzarrão que tinha nome de rio, notadamente bíblico, um símbolo de águas fluídas, quis me condenar à secura! Que ironia da vida! O tempo passou. Como afinal passam as águas e as nuvens, e, claro, jamais poderia esquecer aquela abordagem única:

– Então, é esse o seu negócio?!

Jorge Facury

Voltar

Facebook

Jorge Facury
Últimos posts por Jorge Facury (exibir todos)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Acessar o conteúdo