Jorge Facury: Crônica ‘O seguimento da mestra’


Às 4h30 deste dia 03 de fevereiro, a querida e inesquecível professora Almira Porciúncula, de Tatuí, partiu para a Eternidade.
Mestra da língua portuguesa, marcou a vida de incontáveis jovens, entre os quais me incluo, por suas aulas divertidas e criativas. Escrevia uma frase na lousa para explicá-la gramaticalmente, mas, antes fazia a gente viajar no sentido da coisa escrita, como por exemplo – “um grande alarido veio da mata causando medo nos habitantes da aldeia”. Antes da explicação gramatical a gente viajava no mistério do que poderia ser o misterioso alarido. Era como um começo de história e assim, nesse instante mágico ela ia encantando a gente.
Nas últimas vezes em que nos vimos, bem-humorada, dizia que morrer não estava em seus planos e se pudesse iria discutir o assunto com Deus. Queria que a fila andasse e ela sempre ia para o final. Mas, não havendo jeito mesmo, afirmava querer uma placa assim expressa em sua lápide: MORRI SOB PROTESTO!
Amava a Vida, uma figura ímpar. Guardo comigo o estímulo dado ainda na quinta série quando me aconselhou a escrever sempre pois era algo que eu deveria desenvolver – “siga sempre escrevendo” – disse.
Em 2008 veio a Sorocaba para o lançamento de um livro meu, ocasião em que lhe fiz uma homenagem (vídeo gravado em poder da Editora). Guardo também com carinho inestimável o prefácio que me fez para outro livro – Assim Me Contaram, editado em 2010.
Amava a Língua Portuguesa e a Literatura, convidando-nos sempre a ler O Confiteor, do escritor tatuiano Paulo Setúbal.
Siga em paz, grande Mestra. Suas lições ficam para sempre; as escolares e mais ainda aquelas primorosamente vertidas de sua amável presença.
Jorge Facury
- O seguimento da mestra - 4 de fevereiro de 2026
- A garrafa mágica - 14 de outubro de 2025
- Carta aberta aos povos do cosmos - 7 de outubro de 2024
Natural de Tatuí (SP), e residente em Sorocaba (SP), é professor de História e escritor, com vários títulos publicados. Escreveu desde os 16 anos de idade em uma coluna semanal para um jornal de Tatuí, sobre Ufologia. Uma de suas publicações versa sobre um caso ocorrido em Sorocaba, em 1979, o ‘Caso Mariquinha’, que teve alcance internacional. É autor do projeto educacional Viva A Memória, implantado na escola Francisco Camargo César, que contempla histórias populares de bairros da Zona Norte de Sorocaba; autor de minibiografias, contos e um romance místico.

