Marli Freitas: ‘Entre flores e círios de prata’


Quando Machado de Assis disse que
“A arte de viver consiste em tirar o maior bem do maior mal”,
Meu mundo parou… bebi o mel do seu intelecto
E me entreguei ao êxtase de conhecer um gigante
Que nasceu humildemente humano, neto de escravos alforriados
Que trilhou suavemente o caminho do saber.
De mente brilhante, viu no Padre Silveira Sarmento,
Seu mentor de latim e melhor amigo.
Absorveu em detalhes os estímulos da Chácara do Livramento
E depois da morte prematura de sua mãe, já em São Cristóvão,
Apoiado pela madrasta, doceira em uma escola para meninas,
Não teve dúvidas de que acumularia nobres aprendizados.
Espírito aventureiro, estudou Língua Francesa com o padeiro,
No ‘Periódico dos Pobres’ publicou seu primeiro soneto
‘Senhora D. P. J. A.’,
Frequentou a livraria de Francisco de Paula Brito,
Que vendia remédios, chás e fumo,
Mas também servia de encontro para uma boa conversa.
Em tenra mocidade passou a tipógrafo na ‘Imprensa Nacional’
E Manuel de Almeida, ao contemplar o seu potencial, o incentivou
A seguir carreira literária, nesse contexto, passou a colaborar
Com o ‘Correio Mercantil’, ao chegar à maioridade,
Já era conhecido entre os intelectuais passando a repórter
E jornalista no ‘Diário do Rio de Janeiro’.
Dedicou ‘Crisálidas’ aos seus pais e estreitou contatos com os poetas.
Contribuiu com o hino ‘Cantada da Arcádia’ – Fluminense,
Escrevia crítica teatral, aprendeu grego para conhecer Sócrates e Platão.
Machado não era um homem bonito, mas era culto e elegante.
Entusiasmava a esposa portuguesa Carola com cartas românticas e dizia,
“Tu pertences ao pequeno grupo de mulheres que sabem amar, sentir e pensar”.
Primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras,
E criou a ‘Panelinha’ para festivos ágapes.
Ao perder sua amada revela, “Foi-se a melhor parte da minha vida
E aqui estou só no mundo”, e assim o poeta deixou este mundo
Com as palavras de Tavares Lira, “… cercava-se de flores, círios de prata
E lágrimas discretas”.
Marli Freitas
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Natural de Dom Cavati (MG) é professora, historiadora, escritora e poeta. Cursou História e Geografia e lecionou durante 29 anos. A literatura sempre fez parte de sua vida através das histórias narradas de forma teatral por seu pai. Quando aprendeu a ler passava horas lendo na Biblioteca Municipal e tinha um gosto especial pelas obras dos irmãos Grimm. Durante a vida escolar foi se encantando por vários autores, com apreço especial pela poesia de Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, entre outros. É autora de cinco livros, dentre os quais: Entre a Terra e o Céu – Estou Feliz, Estou Passarinho; Entre o Balanço e o Voo – O Vento Amou As Asas Recém-nascidas; Entre o Elo e a Auxese – Teus São Os Olhos Meus. Condecorada com várias comendas, dentre as quais: Ruy Barbosa; Princesa Isabel; Ludwig van Beethoven; Fiódor Dostoiévski; William Shakespeare e Mérito Científico Galileu Galilei. Membro de várias academias, dentre as quais: Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes; Académie des Lettres et Arts Luso-Suisse; Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Portugal

