setembro 11, 2026
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Entre o céu e o interior

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Clayton Alexandre Zocarato: um retorno às raízes entre memória, saudade e reencontro

Clayton Alexandre Zocarato
Clayton A. Zocarato

Quando o ônibus começou a descer a estrada de terra, Joaquim abriu a janela, apesar da poeira que entrava feita farinha de mandioca. Gostava daquele cheiro. Cheiro de terra quente, de capim amassado, de café passado na hora, de curral e de lenha queimando no fogão.

            Era um cheiro que não se explicava. Ou talvez se explicasse justamente porque não precisava de explicação.

            Fazia trinta e tantos anos que Joaquim tinha ido embora.

            Na cidade grande, aprendera a andar depressa, a falar olhando o relógio, a tomar café em copo de papel e a responder “tudo bem” mesmo quando nada estava bem.          Aprendera também que as pessoas podiam morar no mesmo prédio durante vinte anos sem saber o nome umas das outras. No interior era diferente. Lá todo mundo sabia de todo mundo.

            Sabia quem tinha casado, quem tinha separado, quem estava devendo na venda, quem tinha dado cria na vaca, quem estava doente e até quem tinha chorado escondido depois da missa.

            — Ô motorista, falta muito?

            — Uai, homem, cê já perguntou isso umas três vezes.

            Joaquim sorriu.

            — É que a gente fica meio ansioso.

            — Ansioso nada. Cê tá é com saudade.

            O motorista falou aquilo sem olhar para trás. Joaquim ficou quieto.

            Saudade…

            A palavra ficou dentro dele como um passarinho preso.

            Pela janela, reconheceu o velho morro. Já não havia tantas árvores como antigamente. Algumas cercas tinham sido trocadas por arame novo. Um sítio que antes pertencia aos Alves agora tinha uma placa de “vende-se”.

            A estrada continuava quase a mesma, mas ele sabia que não era.

            A gente volta para um lugar esperando encontrar o passado, pensou. E o passado nunca está lá. Quem está lá é a nossa lembrança dele.

            O ônibus parou perto da venda do Zé Bento.

            Joaquim desceu devagar, carregando uma mala pequena.

            — Ô, Joca!

            Ele virou.

            Era Dito.

            Ou o que restava de Dito.

            Os cabelos estavam completamente brancos, o corpo mais curvado, mas o sorriso continuava o mesmo.

            — Rapaz… ocê?

            — Eu mesmo, sô. Quem mais ia ser?

            Os dois se abraçaram.

            — Tá véio, hein?

            — Nós dois.

            — Eu tô nada.

            — Tá sim.

            — Então deixa eu fingir que não.

            Riram.

            Era assim no interior. A amizade também tinha sua maneira de envelhecer.

            Naquela tarde, Joaquim caminhou pela rua principal. A igreja continuava no mesmo lugar, embora a pintura estivesse mais clara.

            A praça tinha bancos novos. A antiga fonte havia desaparecido. A árvore onde ele e Dito costumavam sentar ainda existia, mas agora cercada por um pequeno canteiro.

            Passou diante da casa de Dona Alzira.

            A janela estava fechada.

            Joaquim parou.

            Ali morara Mariana.

            A menina que tinha cabelos compridos e uma risada que fazia a gente esquecer o mundo.

            Mariana…

            Ele não sabia se ela ainda vivia.

            Não perguntou.

            Algumas perguntas envelhecem mais depressa quando encontram resposta.

            Naquele tempo, Joaquim tinha dezoito anos e acreditava que o mundo começava e terminava naquela pequena cidade. De manhã ajudava o pai na roça. Depois do almoço, ia para a venda. À tarde, encontrava os amigos perto do campo de futebol. À noite, havia sempre alguém tocando viola em alguma varanda.

            A vida era pobre, mas tinha tempo.

            Talvez fosse isso que mais lhe fizesse falta.

            O tempo.

            Na cidade grande, tinha dinheiro suficiente para comprar quase tudo, menos uma tarde sem compromisso.

            No interior, uma tarde podia durar uma eternidade.

            Na sexta-feira, o povo se juntava na praça. As mulheres levavam crianças, os homens ficavam encostados nos carros ou sentados nos bancos.

            Tinha milho cozido, pamonha, bolo de fubá, café preto e aquele queijo curado que fazia a pessoa beber água depois.

            Quando chegava junho, era festa.

            Bandeirinha colorida atravessando a rua. Fogueira. Sanfona. Viola. Criança correndo. Moça escondendo o sorriso. Rapaz tentando parecer valente diante da moça que gostava.

            E tinha quadrilha.

            — Anarriê!

            — Alavantú!

            — Olha a chuva!

            Todo mundo fingia que acreditava.

            Depois vinha a fogueira.

            Os mais velhos contavam histórias.

            Falavam de assombração.

            Falavam de alma penada.

            Falavam de homem que tinha visto uma luz andando sozinha pelo pasto.

            Dito jurava ter visto uma vez.

            — Vi mesmo, Joca.

            — Cê tava bêbado.

            — Eu tava meio alegrinho.

            — Então.

            — Mas vi.

            — E o que era?

            — Não sei.

            — Então podia ser qualquer coisa.

            — Podia. Mas era uma coisa que não devia tá ali.

            Joaquim gostava dessas conversas. Talvez porque o interior tivesse o dom de deixar uma porta aberta entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

            Naquela noite, ele dormiu na casa antiga do pai.

            O quarto era pequeno.

            A cama ainda tinha o mesmo rangido.

            Na parede havia uma fotografia antiga, já amarelada.

            Seu pai estava de chapéu.

            Sua mãe estava ao lado.

            Ele, menino, aparecia na frente, com os cabelos penteados para trás.

            Joaquim aproximou-se.

            Passou o dedo pela fotografia.

            Foi então que percebeu que sentia falta até daquilo que, quando vivo, ele não tinha coragem de dizer que amava.

            A mãe morreu cedo.

            O pai depois.

            A casa ficou vazia.

            Mas as coisas continuaram esperando.

            Uma cadeira.

            Um rádio.

            Uma panela.

            Um terço.

            Uma fotografia.

            Talvez uma casa nunca fique completamente vazia. As pessoas continuam morando nela depois que partem.

            No domingo, Joaquim foi à missa.

            O sino tocava como antigamente.

            As pessoas chegavam aos poucos.

            Algumas de carro, outras a pé.

            Dona Nair vinha com o mesmo vestido escuro de sempre.

            Seu Agenor ainda carregava o chapéu debaixo do braço.

            As crianças continuavam inquietas.

            Um menino chorou no meio da missa.

            Uma senhora virou para trás e fez aquele olhar de quem queria que a criança ficasse quieta.

            Joaquim sorriu.

            Nada mudara completamente.

            O padre falou sobre esperança.

            Joaquim olhou para o teto da igreja.

            Pensou no céu.

            Desde menino imaginava o céu como uma espécie de continuação do interior.

            Um lugar de árvores grandes, sombra fresca, água limpa e gente conhecida.

            Achava que seu pai estaria lá.

            Sua mãe também.

            Talvez Mariana.

            Talvez todos os que tinham partido.

            Talvez o céu fosse simplesmente isso: um lugar onde ninguém mais precisava dizer adeus.

            Depois da missa, o povo ficou na calçada.

            Era costume.

            A missa acabava, mas ninguém tinha pressa de ir embora.

            Falavam da chuva.

            Da safra.

            Do preço da carne.

            Da política.

            Do casamento de alguém.

            Da saúde de alguém.

            Da vida dos outros.

            Mas, no fundo, falavam da própria vida.

            — Ocê ficou muito tempo fora — disse Dona Nair.

            — Fiquei.

            — Gostou de lá?

            Joaquim demorou para responder.

            — Gostei.

            — E foi feliz?

            Ele olhou para ela.

            Dona Nair não parecia estar perguntando por curiosidade.

            Esperava uma resposta.

            — Fui algumas vezes.

            Ela sorriu.

            — É. Felicidade também não mora num lugar só.

            Joaquim guardou aquilo.

            Mais tarde, encontrou Mariana.

            Foi na saída da farmácia.

            Ele a reconheceu antes.

            Ela também.

            Ficaram alguns segundos sem falar.

            — Joaquim?

            — Mariana.

            Ela estava mais velha.

            Naturalmente.

            Os cabelos já tinham alguns fios brancos.

            O rosto trazia marcas que não estavam ali trinta anos antes.

            Mas os olhos continuavam iguais.

            — Cê voltou?

            — Voltei.

            — Pra ficar?

            Joaquim respirou fundo.

            — Não sei.

            Mariana sorriu.

            — Ocê nunca soube.

            Ele riu.

            — É verdade.

            Caminharam juntos pela praça.

            Nenhum dos dois perguntou sobre os amores que vieram depois.

            Nenhum dos dois contou os fracassos.

            Há coisas que o tempo ensina a não perguntar.

            Sentaram-se no banco perto da igreja.

            — Lembra das festas?

            — Lembro.

            — Daquela quermesse em que você caiu dentro do barril?

            Joaquim começou a rir.

            — Não precisa lembrar disso.

            — Eu lembro.

            — Todo mundo lembra.

            — Você ficou três dias sem olhar na minha cara.

            — Eu tinha vergonha.

            — Eu achei bonito.

            Ele olhou para ela.

            — Bonito?

            — Você com vergonha.

            Ficaram em silêncio.

            O vento passou pelas árvores.

            Uma folha caiu entre os dois.

            Joaquim pensou que talvez a vida fosse feita dessas coisas pequenas.

            Uma folha.

            Uma praça.

            Uma pessoa que a gente amou.

            Uma lembrança que insiste em respirar.

            Naquela noite houve música na praça.

            Um velho violeiro chamado Chico Lampejo  sentou-se perto do coreto.

            A viola começou devagar.

            Primeiro vieram as notas.

            Depois a voz.

            Cantava uma moda antiga sobre um homem que deixara sua terra para ganhar dinheiro e, depois de muitos anos, descobrira que havia enriquecido de tudo, menos de si mesmo.

            Joaquim ouviu sem dizer nada.

            Dito sentou-se ao lado.

            — Essa moda é sua cara.

            — Por quê?

            — Porque ocê fez exatamente isso.

            — Fiquei rico?

            — Não.

            — Então?

            — Foi embora.

            Joaquim riu.

            A viola continuou.

            Havia alguma coisa naquela música que parecia conversar com o céu.

Talvez porque as modas de viola nunca falassem apenas de gente.

            Falavam de estrada.

            De boi.

            De roça.

            De amor.

            De morte.

            De promessa.

            De espera.

            Falavam do homem diante daquilo que não consegue entender.

            E o interior sabia disso sem precisar estudar.

            Na manhã seguinte, Joaquim acordou cedo.

            O galo cantava.

            O céu ainda estava meio azul, meio cinza.

            Ele tomou café passado no coador de pano.

            Comeu pão com manteiga.

            Depois saiu para caminhar.

            Passou pela venda.

            — Bom dia, Joca.

            — Bom dia.

            — Café?

            — Café.

            Zé Bento colocou a xícara sobre o balcão.

            — Forte.

            — Do jeito que tem que ser.

            — Aqui ninguém toma café fraco.

            — Na cidade tomam.

            — Então a cidade tá errada.

            Joaquim sorriu.

            Ficou ali algum tempo.

            Ouviu conversa sobre chuva.

            Ouviu conversa sobre um bezerro desaparecido.

            Ouviu falar que a ponte precisava de conserto.

            Ouviu uma senhora reclamar do preço do açúcar.

            Era uma conversa sem importância.

            E, justamente por isso, era importante.

            Naquele instante, Joaquim percebeu que passara a vida procurando grandes acontecimentos, quando talvez a felicidade estivesse escondida nas coisas que ninguém fotografava.

            O café.

            A prosa.

            A sombra da árvore.

            O canto dos passarinhos.

            A porta aberta.

            A vizinha chamando do outro lado da rua.

            O menino correndo atrás de uma bola.

            O sino da igreja.

            O cheiro de chuva chegando.

            O rádio tocando uma música antiga.

            Tudo aquilo parecia pequeno.

            Mas era o tamanho exato da vida.

            No fim da tarde, Joaquim foi até o sítio onde trabalhara com o pai.

            O mato tinha tomado conta de parte da estrada.

            A antiga porteira ainda estava lá.

            Ele colocou a mão sobre a madeira.

            Sentiu uma espécie de tremor.

            Lembrou-se do pai dizendo:

            — Segura firme, menino. Cerca mal feita derruba até boi teimoso.

            Ele sorriu.

            Entrou.

            O pasto estava quase vazio.

            Havia algumas vacas.

            Um cachorro latiu ao longe.

            O sol começava a desaparecer atrás do morro.

            Joaquim sentou-se numa pedra.

            Ficou olhando.

            Foi então que entendeu.

            O céu não estava distante.

            O céu estava ali.

            Naquela luz.

            Naquela terra.

            Naquela lembrança.

            Na voz do pai que já não existia.

            Na mãe que ele ainda procurava em sonhos.

            Em Mariana andando pela praça.

            Em Dito fazendo piada.

            Na viola de Chico Lampejo.

            No cheiro do café.

            Na poeira da estrada.

            Talvez o céu não fosse um lugar para onde se ia depois da morte.

            Talvez fosse aquilo que a gente conseguia reconhecer enquanto ainda estava vivo.

            Joaquim ficou ali até escurecer.

            Quando voltou para casa, encontrou Mariana sentada na varanda.

            — Vim trazer isso.

            Ela entregou uma pequena caixa.

            Dentro havia fotografias antigas.

            Joaquim abriu.

            Havia uma fotografia dos dois.

            Eram jovens.

            Ele quase não se reconheceu.

            Mariana estava sorrindo.

            — Eu guardei esse tempo todo — disse ela.

            — Por quê?

            Ela olhou para o quintal.

            — Porque algumas coisas não pedem para ser esquecidas.

            Joaquim fechou a caixa.

            Não disse nada.

            A noite chegou devagar.

            Em alguma casa distante alguém tocava sanfona.

            Uma criança ria.

            Um cachorro latia.

            O sino da igreja bateu oito vezes.

            Joaquim olhou para o céu.

            Havia estrelas.

            Muitas.

            Mais do que conseguia contar.

            Mariana ficou ao lado dele.

            — Bonito, né?

            — É.

            — Na cidade não dá pra ver assim.

            — Lá também tem céu.

            — Mas não é igual.

            Joaquim concordou.

            Porque sabia.

            O céu era o mesmo.

            Mas o homem que olha para ele nunca é.

            Passaram-se alguns minutos.

            Mariana levantou.

            — Vou embora.

            — Amanhã você vem?

            Ela olhou para ele.

            — Uai, se ocê quiser.

            — Quero.

            Ela sorriu.

            — Então venho.

            Joaquim ficou sozinho na varanda.

            Pensou que talvez tivesse passado tantos anos procurando um lugar para voltar que não percebeu que o lugar sempre estivera dentro dele.

            O interior não era apenas a cidade.

            Não era a praça.

            Não era a igreja.

            Não era a roça.

            Não era a casa.

            Era uma maneira de guardar o tempo.

            Ali, os mortos continuavam vivos nas fotografias.

            Os amores antigos continuavam sentados nos bancos da praça.

            As músicas continuavam tocando mesmo quando ninguém mais sabia seus nomes.

            As festas acabavam, mas deixavam cheiro de fumaça nas roupas.

            As procissões terminavam, mas o som dos sinos permanecia.

            As pessoas partiam.

            As casas envelheciam.

            As árvores cresciam.

            As estradas mudavam.

            E ainda assim alguma coisa permanecia.

            Talvez fosse a memória.

            Talvez fosse Deus.

            Talvez fosse apenas a teimosia do coração em não deixar morrer aquilo que um dia lhe deu sentido.

            Joaquim entrou em casa.

            Antes de dormir, abriu a janela.

            O ar da noite entrou.

            Havia cheiro de terra molhada.

            Em algum lugar, um grilo cantava.

            Ele ouviu uma última vez a música distante da viola.

            E sorriu.

            Porque finalmente compreendia.

            Não havia distância entre o céu e o interior.

            O céu estava sobre a cidade pequena.

            Mas o interior estava dentro dele.

            E, depois de tantos anos correndo para longe, Joaquim descobrira que certas estradas não servem para ir embora.

            Servem para voltar.

            Naquela noite, dormiu sem medo.

            E sonhou com a mãe.

            Ela estava na cozinha, coando café.

            Seu pai estava sentado à mesa.

            Dito ria do lado de fora.

            Mariana caminhava pela praça.

            A igreja tocava os sinos.

            E a velha estrada de terra seguia para longe, entrando no horizonte.

            Joaquim caminhava por ela.

            Não sabia para onde.

            Também não precisava saber.

            Ao longe, o céu começava a clarear.

            E, pela primeira vez em muitos anos, ele não sentiu saudade do lugar onde tinha vivido.

            Sentiu saudade de si mesmo.

            Do menino que fora.

            Do homem que poderia ter sido.

            Da vida que passou.

            E compreendeu, com aquela simplicidade que só chega quando quase tudo já passou, que a gente nunca volta exatamente para casa.

            Volta para dentro de si.

            E às vezes isso basta.

            Porque há lugares que desaparecem do mapa, mas continuam existindo no coração.

            Há vozes que morrem, mas continuam chamando.

            Há músicas que envelhecem, mas nunca ficam antigas.

            Há amores que não acontecem, mas permanecem.

            E há um céu.

            Sempre o mesmo.

            Azul de manhã.

            Vermelho no fim da tarde.

            Escuro à noite.

            Cheio de estrelas.

            E há o interior.

            Com sua poeira, suas festas, suas rezas, suas modas de viola, seus causos, suas fogueiras, suas procissões, suas janelas abertas, suas cozinhas cheirando a café, suas mulheres na calçada, seus homens falando de chuva, seus meninos correndo descalços e seus velhos guardando histórias como quem guarda sementes.

            Talvez seja por isso que Joaquim tenha voltado.

            Não para recuperar o passado.

            Isso ninguém consegue.

            Voltou apenas para ouvir novamente aquilo que o mundo moderno havia feito tanto barulho para calar.

            O silêncio.

            O sino.

            A viola.

            O vento no quintal.

            A voz de quem chama pelo nosso nome.

            E, principalmente, aquele sentimento antigo de que, apesar de tudo, apesar do tempo, apesar da morte e das estradas que nos levam para longe, ainda existe algum lugar onde podemos sentar, respirar fundo e dizer baixinho:

            — Uai… cheguei.

Clayton Alexandre Zocarato

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