Uma profunda e tocante obra de Ismaél Wandalika em versos sobre a crueza do sofrimento, a força da resiliência e a poesia como refúgio da alma


Cada vez
que entra a dor acelera o aperto dentro
Dor desconfortável incessante
Parece anunciar a morte
Franqueza paira no peito enfraquece o ânimo
Não há refugio para essa dor forte
Quase tudo que entra lhe desperta de novo
Sinto tudo do começo me esforço para obter resultado…
Não há como fugi-la é picante
Baixa até o autoestima da gente
O rosto muda de formato e a gente emagrece
Cada vez
mais picante
Dói com mais pressão
Dor que parece sentir ilusão
Cada Vez leva força, dói com muita força
São dores físicas que a gente sente
Viver é um ato de coragem entende
Cada vez
penso distante
Me elevo para longe
Me antecipo para frente
Sou forte que nem ndange
Homem/mulher de coragem
Consciente que também morre.
Cada vez
É sempre mais sofrida mais intensa
Fere e estressa, quebra a cabeça, perde na peça, corta o fôlego e interdita a inspiração do poeta, fomenta a criação das letras nas histórias.
Essa dor, lembra aquela dor nascida na dor…
CADA VEZ
Páro por aqui
Páro para sentir
Escrevo para ouvir
Dói lhe sentir.
Cada vez!
Soldado Wandalika
Poeta e escritor angolano
Natural de Luanda (Angola), e mais conhecido no meio artístico como Soldado Wandalika, é Gestor Administrativo, poeta, escritor, declamador, músico, compositor e agente cultural. Iniciou sua carreira literária como poeta declamador em 2006. Em 2020 lançou o primeiro EP, intitulado General de Guerra, composto por duas músicas e quatro poemas. Tem três músicas e um videoclipe disponibilizado nas plataformas digitais e no YouTube. Participou da Antologia Poema Sem Vogal, no Brasil. É colaborador da Rádio Cultura Angola no programa Manhã De Prosa e trabalhou na Rádio Cazenga, como agente cultural. Como poeta, colaborou com a Rádio Eclésia, dando voz ao espaço Palco das Artes. Tem colaborações artísticas com artistas do México, Moçambique, e do Brasil. Autor do livro Kuduro Poético. (Kuduro). É CEO do projeto internacional Poetas Da Ilusão, composto por brasileiros, moçambicanos e angolanos e mentor do projeto comunitário Meu Bairro Meu Centro Cultural.


Ismaél, seu poema é uma radiografia nua e crua a respeito da fragilidade humana e a persistência da dor, sobretudo a da alma! O poema é impactante, ao desenhar os efeitos reais desse sofrimento no corpo e no ânimo. Porém, o poeta é símbolo da resiliência humana, e o poema vai atingindo seu final retumbante na figura do ‘ndange’ e, desta forma, transmuta o sofrimento em um cinzel e martelo, esculpindo um poema a ecoar na história da literatura mundial!