setembro 01, 2026
Mãe de todas as mães
Cada vez
Descaminhar é preciso
Três telefones em pensão para senhoras
Onde os lírios sonham
Da mente inquieta ao apocalipse no papel
A confissão da prostituta II
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Cada vez

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Uma profunda e tocante obra de Ismaél Wandalika em versos sobre a crueza do sofrimento, a força da resiliência e a poesia como refúgio da alma

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika

Cada vez
que entra a dor acelera o aperto dentro
Dor desconfortável incessante
Parece anunciar a morte
Franqueza paira no peito enfraquece o ânimo
Não há refugio para essa dor forte
Quase tudo que entra lhe desperta de novo
Sinto tudo do começo me esforço para obter resultado…
Não há como fugi-la é picante
Baixa até o autoestima da gente
O rosto muda de formato e a gente emagrece

Cada vez
mais picante
Dói com mais pressão
Dor que parece sentir ilusão
Cada Vez leva força, dói com muita força
São dores físicas que a gente sente
Viver é um ato de coragem entende

Cada vez
penso distante
Me elevo para longe
Me antecipo para frente
Sou forte que nem ndange
Homem/mulher de coragem
Consciente que também morre.

Cada vez
É sempre mais sofrida mais intensa
Fere e estressa, quebra a cabeça, perde na peça, corta o fôlego e interdita a inspiração do poeta, fomenta a criação das letras nas histórias.
Essa dor, lembra aquela dor nascida na dor…

CADA VEZ
Páro por aqui
Páro para sentir
Escrevo para ouvir
Dói lhe sentir.

Cada vez!

Soldado Wandalika

Poeta e escritor angolano

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Ismael Wandalika
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One thought on “Cada vez

  1. Ismaél, seu poema é uma radiografia nua e crua a respeito da fragilidade humana e a persistência da dor, sobretudo a da alma! O poema é impactante, ao desenhar os efeitos reais desse sofrimento no corpo e no ânimo. Porém, o poeta é símbolo da resiliência humana, e o poema vai atingindo seu final retumbante na figura do ‘ndange’ e, desta forma, transmuta o sofrimento em um cinzel e martelo, esculpindo um poema a ecoar na história da literatura mundial!

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