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Artigo de Ricardo Hirata: 'Partidos politicos em crise. O mundo sem confiança'

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Ricardo Hirata Ferreira
Ricardo Hirata Ferreira

Ricardo Hirata – PARTIDOS POLÍTICOS EM CRISE. O MUNDO SEM CONFIANÇA.

É fato que os partidos deturpam a sua identidade quando colocam como meta apenas a chegada e a manutenção do poder.

Quando eles deixam completamente de ser o espaço onde se faz a pedagogia, o estudo, o debate e o aprofundamento de idéias, eles se tornam muito mais siglas do

que partidos.

De certa forma a maioria da população brasileira, por não ter formação, nem sempre vê o partido, e sim o indivíduo que está disputando as eleições.

O ideal seria se os partidos e seus membros deixassem claros os seus posicionamentos políticos, ou seja, a sua visão de mundo, para que as pessoas também pudessem se posicionar e escolher.

Contudo é conveniente para eles não fazer isso.

Muitas vezes se fala em nome do povo apenas por fachada.

O discurso é dirigido e feito em nome do povo. Mas que povo é esse?

O político partidário e o partido estão defendendo qual povo?

Seria honesto se o político e o partido falassem claramente quem estão realmente defendendo, por exemplo: os empresários (nacionais e/ou internacionais), os banqueiros, os grandes latifundiários, a classe média, os comerciantes, os pequenos agricultores, os sem terra, os sem teto, os professores, os estudantes etc.

Se defendem o Estado ou o Mercado, se vão privatizar ou estatizar (definir posicionamentos e formas de governar).

Outro problema sério são as alianças partidárias feitas a qualquer preço para ganhar as eleições.

As alianças extrapolam a tal da governabilidade e se tornam conchavos políticos da pior qualidade com total ausência de coerência e de identidade.

Porque em certo sentido os partidos perdem a sua identidade. Falam uma coisa e fazem outra.

Até que ponto vale à pena aliar-se com o inimigo, com o traidor?

Todos sabem que é da natureza do lobo comer o cordeiro, por mais bonzinho e satisfeito que ele esteja uma hora ele vai dar o golpe e devorar o cordeiro que vacilou

diante da situação.

Fala-se e promove-se muito a crise econômica, mas o geógrafo Milton Santos (USP) explicava que a maior crise que o período enfrenta é a crise da confiança. Como confiar no outro?

O outro hoje é o concorrente.

Ele deixa de ser humano e se transforma em consumidor e mercadoria no mundo do capital.

Além disso, o poder, dizia o professor, está concentrado nas mãos de um punhado de grandes empresas multinacionais.

Na hegemonia da mundialização do capital: os partidos, a confiança, a ética, a cidadania, a identidade, os valores, a moral, o amor, a educação, a saúde, os lugares, os países, a economia e a política entram em crise para não dizer em colapso.

Participar da sociedade de consumo, de forma precária ou plena, é muito mais prazeroso e sedutor do que participar de partidos, do mundo da política, de tal maneira que participar do mundo da política só é interessante se houver algum desfrute imediato disto.

Primeiro vem à satisfação do indivíduo, o coletivo só é interessante se houver retorno para o indivíduo.

O modelo de sociedade atual reforça a potência desta constatação, considere atrelado a isto o fascínio pelo status do poder.

A saída é a tomada de consciência.

Não se pode contentar com o excesso de informações intencionalmente produzidas e sair por aí emitindo opiniões cristalizadas.

Ser consumidor mais que perfeito e trabalhar para agradar e servir o mercado é muito pouco.

De modo geral a população gosta daquilo que é superficial e pouco profundo.

Os partidos e os políticos que aí estão não são cogumelos que brotam do nada, eles têm história e são produto do lugar, do

país e do tipo de mundo onde se habita.

 

Ricardo Hirata

Doutor em Geografia Humana, FFLCH, USP.

Helio Rubens
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