Sandra Albuquerque
Poema ‘180: o grito que não pode calar!’


Me sinto frágil e indefesa
Às vezes, inerte na incerteza
De que alguém vai me ouvir.
Mas a realidade é cruel
Ninguém quer viver o meu papel.
É simples para muitos
O fato de eu não gritar.
Olho para os lados e vejo os meus filhos, tão fragilizados
realidade
O que fazer? Para onde vou?
O que contar?
Por outro lado,
Dependo dele e omissa fico.
Tremenda opressão.
É um olhar atravessado
Uma palavra agressiva
Fico frustrada
E naquele processo fico
E parece não ter fim.
Não durmo direito
E com os olhos cheios de olheiras
Coloco um óculos escuros
Para disfarçar.
Até que uma hora as palavras ,
a coação mental já não basta
E vem o primeiro tapa
E quando me perguntam o que foi isto?
Eu,simplesmente,digo que caí.
E outras agressões surgem
Meus filhos choram
O desespero bate
E nào.para por aí.
E eu fico ali
Naquela agonia
Como uma tempestade que nunca acaba.
Então ,eu penso
Afinal,vou para onde?
Mas …
Eu preciso acreditar
Que sou forte o suficiente
Para revidar e não aceitar
Eu preciso gritar
Preciso reagir
Este grito sufocado
Precisa sair do meu peito
Para eu conseguir sobreviver
Eu vou ligar 180
Ou usar os sinais com as mãos
Pedindo socorro
E…
Acreditar na justiça dos homens
E seja o que Deus quiser.
Sandra Albuquerque
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Natural de Duque de Caxias (RJ). Professora, escritora e poetisa. Acadêmica Benemérita e Efetiva da FEBACLA, da qual recebeu, dentre outras honrarias, Comendadora Guanabara, Dra. h. c. em Literatura, Direitos Sociais e Humanitários e Comunicação, Acadêmica Correspondente e Internacional, Grande Prêmio Internacional de Literatura Machado de Assis, Comenda Príncipe dos Poetas, em homenagem ao escritor Olavo Bilac e Comenda Imperador Dom Pedro ll. Pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmatianos, o título Benfeitora das Ciências, Letras e Artes; Título da Real Ordem dos Cavaleiros e Damas do Rei Ramiro Il de Leão; Embaixadora da Paz e Comendadora da Justiça de Paz; pela Organização Mundial dos Defensores dos Direitos Humanos -OMDDH, Comenda lnternacional Diplomata Rui Barbosa- ‘O Águia de Haia’. Membro da Academia Caxambuense de Letras-ACL e da Academia Internacional de Literatura e Artes Poetas Além do Tempo. Colunista do Jornal Cultural ROL. Coautora em várias Antologias, dentre elas, Florbela ll , Rasgando a Mordaça, Collectânea Sonata Poética da Liberdade, Semeando Versos e Sarau Integração Cultural pela ACL. Participação na V FLAVIR e Destaque Social Personalidade 2020 e 2021.

