Pedro Israel Novaes de Almeida: ‘Bons e maus’
Contrariando estudos e pesquisas, continuo acreditando que existem pessoas irremediavelmente más e pessoas irremediavelmente boas.
A afirmação soa fatalista, condenatória à pena perpétua, por não acreditar em mudanças na índole humana. No fundo, trata-se de dar pouco realce à possibilidade de modificar características havidas desde o ventre e berço.
Pessoas más podem, ao longo da vida, assumirem posturas de pessoas boas, por conveniência ou circunstâncias, mas guardam, intocadas, a capacidade de serem cruéis e egoístas. Pode ocorrer de jamais a face cruel ser demonstrada, por absoluta desnecessidade.
As revelações do potencial de crueldade ou bondade das pessoas ocorrem, não raro, quando do atingimento de algum poder, ou quando da possibilidade de algum ganho material, ainda que ilícito ou imoral.
Assim, subalternos respeitosos, prestativos e amistosos podem, fato corriqueiro, transformarem-se em chefes desumanos e despóticos. No caso, houve o simples demonstrar de uma índole cruel, até então não revelada.
Por vezes, índoles radicalmente contrárias convivem, nas mesmas pessoas. Corruptos são, não raro, pais amorosos e maridos exemplares, honestíssimos nas negociações com amigos.
Alguém disse, e foi tido como idiota, que todo homem tem seu preço. Pessoas boas possuem um preço tão elevado que passam a vida toda sem que surja alguma oportunidade de revela-lo.
Não é bom quem acaricia uma criança ou perdoa um malfeito, mas maltrata um cachorro, ou mata um pássaro. Não é bom, e sequer garanhão, o marido ou namorado que prega a fidelidade, mas sente um enorme orgulho de jamais praticá-la.
O mundo anda repleto de pessoas boas e pessoas más. Pessoas boas dificilmente ganham notoriedade ou figuram como exemplo.
Pessoas más possuem mais iniciativa, não raro são mais dinâmicas e, quase sempre, acabam aplaudidas. Na política, acabam reeleitas, ao contrário da maioria das pessoas boas, a quem pouco importa a perpetuação do mandato.
A religiosidade não distingue pessoas boas de pessoas más, e pregações, vez ou outra, auxiliam a domesticação de tendências à barbárie. É comum a manifestação de solidariedade aos irmãos e repulsa aos não parentes de fé.
Em tempos tão difíceis, nada mais resta senão serpentear por entre bons e maus, premiando e estimulando uns e repelindo outros. O convívio com plantas e animais garantem tréguas preciosas na guerra diária em que todos combatemos.
Não convém permitir que a ousadia dos maus iniba as obras e rotinas dos bons. A bondade não deve jamais ser confundida com mansidão, e convém não esquecer que o pregador da paz, acertadamente, não titubeou em chicotear os que profanavam seu templo.
O autor é engenheiro agrônomo e advogado, aposentado.
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Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA; Acadêmico Imortal Fundador da Académie Léon-Gontran Damas des Lettres et Arts de la Guyane française; Fundador Imortal del Núcleo de Artes, Ciências e Letras de Assunção|Paraguai e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: as Comendas: Baluarte da Literatura Nacional; Láurea Acadêmica Qualidade Ouro; Chanceler da Cultura Nacional e Ativista da Cultura Nacional ; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Benemérito Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult.; Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Grão-Mestre das Artes; Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro; pela Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB, Grandes Escritores do Brasil.

