Loide Afonso: Poema ‘Dia feio’


Foram passos largos
E rápidos
Batimentos cardíacos
Sem velocidade definida
Corpo suando
Adrenalina a mil
Olhos embaçados
Musica alta do vinil
Maldito é o dia em que te conheci!
Maldito
Gritava alto dentro de mim, pra mim, com olhos cheios de lágrimas, lábios roxos, dedos trémulos
Depois de ter passado mil litros de água no rosto, voltei
Com o mesmo olhar que trocamos, o último
Firme e carinhoso
A realidade encarei levantei a cabeça
Meus olhos a ele fitei
Quis gritar mais calei, menos rápido andei e comecei a chorar, praguejei aquele dia, aquela hora, aquele lugar
Que outrora era o nosso favorito. Esperei nossos olhares cruzarem e por dentro gritei: por que trouxeste outra pessoa na nossa casa?
Loid Portugal
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Mais conhecida no meio literário como Loid Portugal, 26, é natural de Conda, província do Cuanza Sul, Angola, e atualmente reside em Windhoek, Namíbia, onde trabalha e estuda. É bacharel em Comunicação Social, pela Universidade ISPPU. Foi radialista por cinco anos, na sua província de origem, no qual apresentava o programa Camdengues e, depois, Sons e Tons. Estreou no mundo do stand up comedy em 2022, no palco do Goza Aquí, num show de Mulheres e, no ano seguinte, participou das eliminatórias, classificando-se em segundo lugar das eliminatórias. É colaboradora como editora no portal de informação KSN. Autora de dois livros, ainda não publicados. Coautora de uma coletânea que sairá em breve.


“Gritava alto dentro de mim, pra mim”
os gritos que não saem pela boca mas, pela alma são o que mais doem.