Os contos de Ricardo Pegorini e a dimensão mágica do cotidiano

Há livros que não se leem com pressa. Eles pedem silêncio, atenção e um certo recolhimento interior.
“Contos do Tempo e da Terra, do Fogo e do Mar”, de Ricardo Pegorini, é um deles.
Nascido em 8 de dezembro de 1961, nos campos de cima da serra gaúcha, em Vacaria (RS), Ricardo teve uma infância marcada pela presença da avó, que o levou à capital, o registrou oficialmente e lhe ensinou as primeiras letras.
Foi esse gesto inaugural, entre afeto e palavra, que parece ecoar até hoje em sua escrita.
Na juventude, mergulhou no cenário underground de Porto Alegre, abrindo um estúdio de ensaios e gravações que o aproximou da música, da criação artística e das palavras.
Mais tarde, ingressou no Tribunal Regional Federal da 4ª Região e construiu, em paralelo à carreira pública, uma sólida formação acadêmica: graduou-se em Comunicação Social e especializou-se em Metodologia do Ensino à Distância.
A literatura, no entanto, sempre esteve ali, amadurecendo.

Em 2007, Ricardo conquistou o primeiro lugar na categoria Crônica do 3º Concurso Literário Mario Quintana, com o texto Um homem, uma mulher e um batom, publicado na antologia A Semente e o Verbo.
No ano seguinte, recebeu menção honrosa no mesmo concurso com o miniconto A Aposta.
Desde então, seus textos passaram a integrar diversas antologias literárias, como Inquietude Impressa, Alma em Prosa e Verso, Verdes Campos de Veludo Negro e coletâneas da Editora Quimera, transitando por diferentes atmosferas e gêneros.
Em dezembro de 2024, foi finalista do III Prêmio Anna Maria Martins (UBE) com o conto As Canções de Aedo.
Já o conto Um Dia Diferente ganhou destaque nacional ao ser publicado na antologia Terra (Selo Off Flip, 2025), lançada durante a FLIP, figurando também entre os finalistas do Prêmio Brasiliê 2025, nas categorias Conto, Crônica e Poesia, um feito raro.
Todo esse percurso desemboca, em outubro de 2025, no lançamento de seu primeiro livro individual, Contos do Tempo e da Terra, do Fogo e do Mar, pela editora Olho de Pan.
A obra foi reconhecida pela Revista Aventuras na História como uma das cinco da literatura brasileira contemporânea que convidam à pausa e à reflexão, definição que sintetiza perfeitamente sua proposta.
O livro reúne contos que nascem do encontro entre o tempo e os elementos da natureza.
Terra, fogo, mar, vento, forças externas que dialogam com as marés internas do ser humano.
Ricardo observa como o ambiente molda emoções, escolhas e silêncios, construindo o que ele próprio define como um verdadeiro “atlas de emoções”.
São textos que falam de assuntos diversos, mas sempre atravessados por paisagens reais e simbólicas, por territórios quase míticos e por uma sensibilidade que encontra magia no cotidiano.
Nada é espetacular demais; tudo é significativo.
A escrita carrega filosofia, lirismo e uma atenção cuidadosa ao que geralmente passa despercebido.
O autor vê o livro como um registro de fase, um apanhado dos melhores textos curtos que vem escrevendo ao longo dos anos, entre contos, crônicas e até letras de músicas.
Mas há algo que permanece como essência: a busca pela dimensão mágica da vida, aquela que existe, mas raramente é reconhecida como tal.
Em 2026, Ricardo Pegorini integrará a antologia Vozes Narrativas (Editora Articule), com lançamento previsto para a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, ampliando ainda mais o alcance de uma escrita que prefere o sussurro ao grito.
Contos do Tempo e da Terra, do Fogo e do Mar é um livro para ler sem pressa, para sentir com o corpo inteiro.
Um convite a observar o mundo, e a si mesmo, com mais atenção, como quem descobre que ainda há mistério onde antes só havia rotina.
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CONTOS DO TEMPO E DA TERRA, DO FOGO E DO MAR
SINOPSE
Em ‘Contos do Tempo e da Terra, do Fogo e do Mar’, cada história é um mergulho em dimensões onde o humano e o mítico se encontram, onde lembranças se confundem com sonhos e onde os elementos da natureza se tornam personagens silenciosos de nossas jornadas.
O tempo atravessa as páginas como um rio que nunca cessa de correr: passado, presente e futuro se sobrepõem, revelando que a memória é sempre inacabada, feita de ecos e de silêncios.
A terra, com sua força ancestral, surge como raiz e abrigo, mas também como peso e limite — espaço de trabalho, de origem e de pertencimento.
O fogo aparece tanto como chama da paixão e da luta quanto como ameaça de destruição, consumindo o que se deseja preservar. Já o mar, profundo e enigmático, guarda segredos, saudades e horizontes que convidam à travessia.
Cada conto é um fragmento de vida que toca em sentimentos universais: o amor e a perda, a esperança e o medo, a coragem e a dúvida.
São narrativas que dialogam com tradições míticas, com a oralidade herdada dos ancestrais, mas também com a modernidade inquieta que desafia identidades e fronteiras.
Entre o realismo mágico e a fantasia especulativa, entre o lirismo poético e a dureza da vida cotidiana, os textos revelam um mosaico de vozes que falam de nós mesmos, de nossas fragilidades, de nossas raízes e de nossos desejos de transcendência.
Mais do que uma coletânea, o livro se apresenta como um caminho literário: um convite a revisitar os vínculos que mantemos com o tempo, com a terra que nos sustenta, com o fogo que nos move e com o mar que nos chama ao desconhecido.
Ideal para leitores que buscam não apenas histórias, mas experiências literárias que instigam a reflexão, que ampliam o olhar sobre o mundo e que ressoam com a intensidade dos grandes temas humanos.
Assista a resenha do canal @oqueli no YouTube
OBRA DO AUTOR

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Lílian Oliveira Henriques, mais conhecida no meio lítero-cultural como Lee Oliveira, é Tecnóloga em Processos Gerenciais, artesã, poetisa e bookstagram, forma de consumo do objeto livro a partir da comunidade literária da rede social Instagram. Proprietária do Instagram @o.que.li, onde escreve resenhas de livros de autores nacionais e/ou independentes, dando luz a essas obras tão importantes para Literatura Brasileira e que, às vezes, não são valorizadas. Acadêmica da FEBACLA, onde ocupa a cadeira 242, tendo por patrona Elizabeth II, entidade pela qual foi
agraciada com as seguintes medalhas: – Medalha de Mérito Acadêmico
– Medalha Mérito Mulher Virtuosa – Medalha alusiva a 10 anos da FEBACLA – Acadêmica Internacional – Medalha Tributo a Chiquinha Gonzaga
– Destaque Cultural Febacliano 2022 – Comenda Sete Maravilhas do Mundo Moderno. É coautora das antologias ‘Um brinde de Natal’ e ‘Rimas, Versos e Bardos’.

