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Díptico poético da alma ferida

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Ella Dominici: ‘Díptico poético da Alma Ferida’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada pela IA do ChatGPT – 15 de janeiro de 2026, às 23:33 PM (https://chatgpt.com/s/m_6969a366c2d08191a4b2ec749fbfd459)

Aos judeus do século XIX Dreyfusards (em ressonância com Yehuda Amichai)

Onde a certeza endurece a terra…

Onde a certeza endurece a terra,

nada consente em nascer.

Ali a justiça caminha sem hesitar,

com os olhos fechados à voz humana.

A verdade não ama o solo rígido.

Prefere a terra revolvida

pelas perguntas,

pelas mãos que tremem

antes de condenar.

É no intervalo da dúvida

que o ser humano ainda respira.

E somente ali

algo de justo

ousa permanecer humano.

(em ressonância com Nelly Sachs)

Vigília de Cinzas

Da dor das acusações injustas

As cinzas não desaparecem.

Permanecem suspensas

na memória do mundo.

Dessa poeira ardente

nasce uma vigília silenciosa —

não para acusar os mortos,

mas para impedir que o esquecimento

se torne cúmplice.

A dor não é um peso,

é uma chama frágil

confiada aos vivos.

Algumas perdas exigem fidelidade.

E algumas almas

só encontram repouso

quando a memória

aprende a cuidar

dos que virão


Ella Dominici

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Rute Ella Dominici
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4 thoughts on “Díptico poético da alma ferida

  1. Ella, você é uma ‘confeiteira das palavras’. E, com elas, oferece aos leitores o finíssimo ‘sabor’ de poemas inesquecíveis!

    1. Por vezes agridoces ou ácidas, mas a lembrança é sempre a doçura da concepção de lucidez.
      Obrigada querido editor-mor, Sérgio, por nos trazer o enlevo necessário à continuidade da poesia.
      Gratidão e carinho!

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