Ella Dominici: Poema ‘A casa e exílio’


Há em mim a casa e o exílio.
A casa é um rumor de água antiga
correndo dentro do nome que me deram.
É o cheiro do pão invisível
que a memória ainda assa
nas cozinhas do afeto.
Casa é onde o olhar repousa
e não precisa explicar-se.
É quando a alma se despe
e o silêncio não constrange.
Mas o exílio —
ah, o exílio —
é quando o olhar não se reconhece
no espelho das horas.
Quando caminho entre rostos familiares
como quem atravessa um país
cuja língua desaprendeu.
Exílio é essa delicada estrangeiridade
de existir demais.
É sentir o mundo por dentro
enquanto o mundo me quer superfície.
E, no entanto…não os renego
Ella Dominici
- A casa e exílio - 27 de fevereiro de 2026
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Natural de São Paulo (SP), é endodontista por profissão e formada no curso superior de Língua e literatura francesa. Uma profissional que optou por uma ciência da área da saúde, mas que desde a infância se mostrava questionadora e talentosa na Arte da Escrita, suscitando da parte de um mestre visionário a afirmação de ela ser uma escritora nata, que deveria valorizar o dom que recebera. Atendendo ao conselho recebido, na maturidade Ella cumpre o vaticínio e lança o primeiro livro solo de poemas (Mar Germinal), rompendo com a escrita meramente contemplativa, abraçando fragmentos, incertezas e dualidades para escancarar oportunidades a si como ao outro. Dribla o autoritário tempo, flagra mazelas psicológicas em minúsculas e múltiplas impressões exteriores e internas. É membro da AMCL – Academia Mundial de Cultura e Acadêmica Internacional da FEBACLA. Coautora de várias antologias. Publica na Revista Internacional The Bard e se inscreveu no 8º Festival de Poetas de Lisboa, participando da antologia promovida pelo evento


Ella, eu fui jurado de oito concursos literários, e poucas vezes me deparei com poemas de tal magnitude!
Este poema é de uma beleza transcendente! E uma maravilhosa aula sobre Figuras de Linguagem!
Reuniu oito figuras de linguagem: metáfora – antítese – personificação – sinestesia – metonínia – comparação – hipérbole e apóstrofe, formando uma etérea Sinfonia da Sensibilidade!
Querido Sérgio Diniz, amigo e editor,
Você não é importante apenas ao Rol Jornal Cultural, mas em cada vida dos Poetas aqui neste espaço dedicado aos sentimentos que nos perpassam!
Dizer obrigada é tão pouco, amamos você
que nos é diariamente necessário !
Belíssimo comentário,
Ella
Um mega gratíssimo por suas palavras, Ella!
São tesouros “que nem a traça e a ferrugem consomem, e os ladrões roubam”!