Ella Dominici: ‘A grandeza de ser mulher’


“Uma mulher que conhece a própria profundidade
pode vergar sob o mundo, mas nunca perder a estatura”
“Marina Silva não é apenas uma biografia política; ela é uma força da natureza que aprendeu a ler a terra antes de decifrar o alfabeto. Sua trajetória é um épico brasileiro, escrito com o barro do Acre e a resiliência de quem venceu a fome e a doença para se tornar a voz mais potente da ecologia global.
Um olhar sobre essa jornada se abre! Para a mulher brasileira, Marina Silva é o símbolo da ascensão pela resistência.
Ela não chegou ao topo ‘apesar’ de ser uma mulher negra, de origem humilde e seringueira, mas sim carregando esses mundos consigo.”
Junco e a Raiz
Do barro do Bapuri, a escrita se fez orvalho,
Não no papel, mas na pele, no corte, no galho.
A menina que vencia a febre com o olhar no poente,
Aprendeu que o destino é semente, e a fome, serpente.
A Tecelã do Chão e do Vento que uiva
Ela não herdou o cetro, mas a calosidade;
nasceu onde o mapa se apaga e a mata se impõe.
Menina de palha e de febre, que leu no orvalho
o que os doutores de pedra jamais saberão:
que a vida é um fio de água vencendo a montanha.
Para as mulheres deste solo de sol e de mágoa,
ela é o espelho de barro que não se estraçalha.
Não ensinou o grito que fere, mas o silêncio que ocupa,
a autoridade de quem sabe o nome de cada semente
e a urgência de quem pariu o amanhã no deserto.
Marina é o junco: o mistério de quem se inclina
para ouvir o que a terra confidencia à raiz.
Ela é a prova de que a delicadeza é um músculo,
e que o poder, quando puro, tem a cor do alecrim
e a teimosia das águas que voltam ao mar sem fim.
Verga o corpo franzino sob o vento que ruge e devora,
Mas a raiz é de ferro; ela planta o sol na aurora.
Não é o carvalho soberbo que estala na solidão,
Mestra das águas, tecelã de um amanhã urgente,
Marina Silva é a prova: a delicadeza é o pulso da mente.
Herança de fibra, de preta, de selva e de fé,
ela gravou na história o que o tempo não rasura:
que uma mulher que conhece a própria profundidade
pode vergar sob o mundo, mas nunca perder a estatura.
Ella Dominici
- A grandeza de ser mulher - 6 de março de 2026
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Natural de São Paulo (SP), é endodontista por profissão e formada no curso superior de Língua e literatura francesa. Uma profissional que optou por uma ciência da área da saúde, mas que desde a infância se mostrava questionadora e talentosa na Arte da Escrita, suscitando da parte de um mestre visionário a afirmação de ela ser uma escritora nata, que deveria valorizar o dom que recebera. Atendendo ao conselho recebido, na maturidade Ella cumpre o vaticínio e lança o primeiro livro solo de poemas (Mar Germinal), rompendo com a escrita meramente contemplativa, abraçando fragmentos, incertezas e dualidades para escancarar oportunidades a si como ao outro. Dribla o autoritário tempo, flagra mazelas psicológicas em minúsculas e múltiplas impressões exteriores e internas. É membro da AMCL – Academia Mundial de Cultura e Acadêmica Internacional da FEBACLA. Coautora de várias antologias. Publica na Revista Internacional The Bard e se inscreveu no 8º Festival de Poetas de Lisboa, participando da antologia promovida pelo evento


Ella, a Marina Silva, por intuição, já recebeu esta lindíssima homenagem e, certamente, derramou um oceano de lágrimas, de emoção e gratidão!
O transe emocional começou já na primeira estrofe! E continuou com passagens como estas:
“Menina de palha e de febre, que leu no orvalho/ o que os doutores de pedra jamais saberão: que a vida é um fio de água vencendo a montanha.”
“Não ensinou o grito que fere, mas o silêncio que ocupa,/ a autoridade de quem sabe o nome de cada semente/ e a urgência de quem pariu o amanhã no deserto.”
E vou parar por aqui, para não transcrever o poema todo!
Ahh, que emocionante comentário, escrevi com a alma e desejo que a leitura nos toque o âmago e o fino olhar!
Grata, Sérgio querido!