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Lá se vai a nossa sorte

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Ismaél Wandalika: ‘Lá se vai a nossa sorte’

Soldado Wandalika
Soldado Wandalika

E lá se vai a sorte da gente, da gente que clama para frente, que limpa o caminho e faz o diferente.
Lá se vai a sorte da gente
Lá se vai a sorte da gente

lá se vai a nossa sorte

O dia nasce e a gente apela aos deuses
Um pedaço de esperança para o nosso suporte
Corremos a deriva ao redor do cume do monte
Assim traçamos caminhos que nos tornam fortes

lá se vai a nossa sorte

Abraçado ao relento
Despedindo as dores que embalam o peito
Não há luz em nosso mundo
A gente vive comendo a poeira do tempo
Ao som de nossos dias encontramos o refúgio

lá se vai a nossa sorte

Arrastada pela carruagem dos magistrados
Que contam histórias para iludir a mente do povo
Saqueiam bem o bem fingindo fazer o bem a quem nada tem.
lá se vai sorte nossa
Nesse panorama confuso
Miúdas bebem da ilusão e enganam os adultos
Aplausos falsos renovam contratos para escravidão
E o povo esquece que a sorte está no coração
Minutos de embriaguez retardam a solução
E lá se vai a gente dividida olhando pro chão
O Ministro abre os olhos e imputa as palavras erguidas pelas mãos.

E lá se vai a sorte da gente, da gente que clama para frente, que limpa o caminho e faz o diferente.
Lá se vai a sorte da gente
Lá se vai a sorte da gente

lá se vai a nossa sorte


Soldado Wandalika

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Ismael Wandalika
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2 thoughts on “Lá se vai a nossa sorte”

  1. Ismael Wandalika,

    Seu poema retrata uma realidade angustiante que vivemos, em muitos países espalhados pelo mundo…

    “…O dia nasce e a gente apela aos deuses
    Um pedaço de esperança para o nosso suporte
    Corremos a deriva ao redor do cume do monte
    Assim traçamos caminhos que nos tornam fortes”

    Esse trecho diz tudo!

    Parabéns, nobre escritor, pela bela composição poética!

    1. Minha amiga Evani Rocha, muito grato pelo seu comentário! A gente segue o ritmo sequencial dos nossos sonhos independentemente do mundo em que vivemos, há semelhanças na vivência kamba.

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