Bruno Alves Feitosa
‘Um enigmático intercâmbio entre mestres da cultura’


Raul Seixas é considerado o pai do rock brasileiro, mas antes de se consagrar como cantor e compositor, ele teve uma experiência marcante como produtor musical. Contudo, em 1972, ele conseguiu gravar uma de suas músicas para concorrer no Vil Festival Internacional da Canção. Incentivado pelo produtor Marcos Mazolla, ele convidou um de seus ídolos, o mestre paraibano Jackson do Pandeiro, para participar da gravação de uma de suas músicas que hoje é um dos clássicos de sua obra: o rock-bailo ‘Let me sing, let me sing’.
Jackson do Pandeiro era um dos maiores nomes da cultura nordestina naquele momento, conhecido como o Rei do Ritmo por sua habilidade com o pandeiro e sua mistura de géneros como baião, coco, xote, samba e rock. Em 1960, ele havia gravado ‘Chiclete com Banana’, uma canção que sintetizava a proposta de fusão cultural que Raul Seixas buscava em sua obra. Na letra, ele dizia: “Eu só boto bebop no meu samba/Quando Tio Sam pegar no tamborim/Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba/Quando ele aprender que o samba não è rumba.
Raul Seixas era um admirador de Jackson do Pandeiro e sabia da importância dele para a música brasileira e a fusão de estilos que ele estava procurando. Por isso, quando soube que ele estava sem contrato com nenhuma gravadora e realizando atividades como instrumentista de estúdio no Rio de Janeiro, ele não perdeu tempo e foi até ele para fazer o convite. Jackson aceitou e levou seu conjunto Borborema para acompanhar Raul na gravação de “Let me sing, let me sing”, uma canção em inglês e português que falava sobre a liberdade de expressão e a resistência à opressão. A parceria entre Raul Seixas e Jackson do Pandeiro não se limitou a essa gravação. Em 1976, Raul voltou a chamar Jackson para participar de seu disco “Ha 10 mil anos atrás, no qual ele cantou a musca “Os números”, ита небезão sobre a origem e o destino da humanidade.
O dia em que Raúl Seixas e Jackson do Pandero se encontraram para gravar um clássico da música brasileira foi um momento único na história de nossa cultura, que mostrou a admiração mútua entre dois grandes artistas de diferentes gerações e estilos, mas com uma mesma paixão pela música. Essa história icônica está registrada no livro Não Diga que a canção está perdida, do jornalista Jotabë Medeiros.

Bruno Alves Feitosa
Correspondente do Jornal Cultural ROL pela cidade de Recife (PE)
- Um enigmático intercâmbio entre mestres da cultura - 18 de fevereiro de 2026
- Bacamarteiros - 29 de janeiro de 2026
Natural de Recife (PE). Possui Doutorado em Ciências das Religiões, Doutorado em Capelania, Mestrado em História da Igreja e Bacharelado em Teologia. Atualmente, é promotor cultural e sua obra é realizada através de apresentação de programas e congressos culturais pelo Nordeste. É Diretor da República Alternativa Cultural Recife PE, instituto que foi idealizado no ano de 1989 por ele e pelo professor e pedagogo Nivaldo Alves Feitosa, tendo como objetivo utilizar o multiculturalismo como ferramenta pedagógica, onde valores humanos são engajados para o exercício da cidadania cultural a partir da interpretação da cultura como um acervo de conhecimentos aplicados mediante as capacidades humanas agregadas em pleno exercício visando a construção da identidade histórica de uma sociedade. Presidente da República Alternativa Cultural – Recife PE; Diretor do Bloco Cultural Cavalo Piancó – Recife (PE); Diretor do Bloco Cultural Malassombro do Jaraguá – Recife e Vice-líder do Recanto Intelectual – Recife.Bruno Alves trouxe pela primeira vez na história de Pernambuco a cultura do Cavalo Piancó, folclore do Piauí. Através do Mestre Nonato Araújo presidente do Bloco Fuzuê Cultural do Jaraguá do Ceará, teve o privilégio de trazer para Recife a Cultura do Jaraguá Reisado.

