Evani Rocha: Poema ‘Prisioneiro’


Ele é prisioneiro do seu pensamento,
Dos paradigmas que nunca quebrou,
Das palavras presas na garganta,
E tanto ‘não’ que ignorou!
Ele é seu próprio algoz,
Nas noites escuras e insones,
Sem taça cheia ou luz da lua…
Na cumplicidade que forjou!
Ele é o vazio das ruas,
Das calçadas molhadas e lodosas…
O anônimo em frente ao espelho,
Os becos recônditos da alma!
Ele é o rosto triste na janela,
Esperando a chuva cessar,
Esperando passar o carteiro…
Esperando uma flor desabrochar!
Ele é o lencinho na despedida,
Nas mãos que acenam um adeus…
O epitáfio na lápide fria,
A última gota que verteu!
Ele é o réu, em frente ao juiz
A retórica ‘não crível’ que ensaiou…
Ele é o juiz dos seus próprios deslizes
E o apenado, que ele mesmo julgou!
Evani Rocha
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Evani Rocha, natural de Chapada dos Guimarães (MT) é bióloga e professora da rede pública há 25 anos, com pós-graduação em Educação, especializada em Literatura Brasileira. Na área literária é poetisa, escritora e autora dos livros: Retalhinhos (Poesia, 2020) e Folhas de Outono (Contos, lançado na Bienal/Rio 2023). Na área acadêmica, é Acadêmica Internacional da FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, da qual recebeu o título Embaixadora Cultural da Paz. Apaixonada pelas artes, em especial a pintura e a escrita, Evani Identifica-se como uma pessoa ligada umbilicalmente à natureza, onde passou boa parte de sua infância. As artes e a natureza são sua fonte de inspiração, motivo pelo qual sua pintura e escrita têm uma voz que ecoa, quase sempre, desse lugar-comum.


Lindíssimo poema, Evani! O ser humano como artífice de si mesmo, num processo de autodestruição!
Caro amigo, Sérgio Diniz,
Sempre imensamente grata pela sua apreciação e comentários!
É o ápice tecnológico com as IA e a profundeza abissal humana, que acabam, para o bem ou mal, nos sensibilizando…às vezes, essas emoções precisam desaguar em forma de poesia, para que possamos ressignificar essa dor da humanidade!
Obrigada!