Paulo Siuves: Poema ‘Pipa vadia’


às 23:07
O sol no meio dessa imensidão azul,
a ausência de nuvens,
uma pipa;
ligação de um pivete à imensidão azul.
Uma linha,
um menino,
um sonho,
sonho de estar no lugar da pipa
e esquecer que existem horas,
horas de parar de brincar,
horas de ir pra esquina da avenida
esperar o vermelho do semáforo…
No céu não existe semáforo.
Dá-se um puxão na linha
e magicamente eu vou com ela pra esquerda,
levo a pipa pra direita
ou pra baixo!
Subo sobre ela até perto do sol,
vou cortar a linha do sol.
“- Êta, solão!”
De repente – zás.
“- Um intruso no meu limite!?”
A pipa sobe incontrolável
como a ira do menino sentado à beira do caminho,
sonhando em ser pipa,
conhecer os sete céus
e os sete mares.
“- Por onde você anda querida pipa?”
“- Com certeza nas mãos de outro menino que sonha ser a pipa, aquela pipa vadia!!”
Coração apertado,
latinha de linha na mão,
menino suado,
cabeça confusa,
desilusão…
Chegou a hora,
essas horas,
que mundo!
“- Esquina, ai vou eu, contar os meus carros, cobrar dessa gente grande por passar na minha rua…”
Paulo Siuves
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Natural de Contagem/MG, é escritor, poeta, músico e guarda municipal, atuando na Banda de Música da Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte como Flautista. É graduado em Estudos Literários pela Faculdade de Letras (FALE) da UFMG. Publicou os livros ‘O Oráculo de Greg Hobsbawn’ (2011), pela editora CBJE, e ‘Soneto e Canções’ (2020), pela Ramos Editora. Além desses, publicou contos e poemas em mais de cinquenta antologias no Brasil e no exterior.


Paulo, seu belíssimo poema me fez lembrar meu conto O Menino que Brincava nas Nuvens’.
Tenho a impressão de que seu Paulo menino brincava com o meu Sergio menino, na nossa saudosa e feliz infância!