maio 26, 2026
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A língua em frenesi

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Pietro Costa: Poema ‘A língua em frenesi’

Pietro Costa
Pietro Costa
Card referente ao concurso da Capolat, no qual Pietro Costa participou sob o pseudônimo Chardonnay
Card referente ao concurso da Capolat, no qual Pietro Costa participou sob o pseudônimo Chardonnay

Em devoção, beijo a flor do Lácio
como quem profana um templo.
Com as sílabas, traço um laço devasso,
roçando o sentido nos lábios do tempo.

Quero degustar o idioma
até que ele gema em metáfora,
e o prazer, em pleno sintoma,
seja vírgula suspensa,
entre o fôlego e a ânfora.

Sou amante reincidente da palavra,
incurável de semântica e pulsão,
perfil que em vogais se escancara
e em consoantes morde o coração.

Quero atravessar a língua
com Cecília, leve e abissal,
perder-me no labirinto de Clarice,
onde o pensamento sangra o essencial,
e arder com Hilda, no clímax
da volúpia mística e visceral.

Mas também ouvir Adélia
rezando o chão com carne e fé,
sentar-me à mesa de Carolina
onde a fome é o que a língua é,
e aprender com Conceição
que a memória escreve o que a vida quer.

Quero a língua viva, indócil,
na dor e na delícia de ser inteira:
feliz não por promessa fácil,
mas por combustão, fogueira,
até que o último suspiro
seja o poema
em sua forma derradeira.


Pietro Costa

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