Ismaél Wandalika: Poema ‘O angolano hoje’


O ANGOLANO HOJE
É controverso de seu ato
Confuso no compasso
Anda de mãos dado com o passado…
Feliz em seus intensos delírios…
O angolano hoje sorri nas entrelinhas
Cria um espetáculo fulminante
para humilhar seu semelhante
Impõe-se ao sucesso de seu irmão almejando vê-lo em baixo
Usa a artimanha do destino para inibir a felicidade conjugal…
É dualista no seu trilho matinal
Reveste-se de ilusões no toque que encena o sorriso divinal
O ANGOLANO HOJE
Quando possuí um cargo artilha laço
Passa pisando todos como se fosse possuidor do universo e suas constelações
O Poder sobe-lhe ao pescoço…
Fala sem modo…
Utiliza a tela para exibir sua arrogância…
O ANGOLANO HOJE
Atrasa a vida de seus compatriotas
Negligenciando decisões coletivas
Negocia terras e heranças coletivas
Cava seu túmulo burlando seu Semelhante que também luta almejando dias melhores!
Sorri das dores alheias
Sobrevive aos caos de sua herdade
O ANGOLANO HOJE
Não tem nada a perder
Entrega-se sem pavor ao prazer
Morre todos dias no renascer de suas pelejas!
Come a poeira do ocidente sem pudor
Possui hematomas gerados na Pele do tambor…
O ANGOLANO HOJE
Reflete seus atos depois dos arrependimentos…
Vive pelo estômago que rasgou seu peito
Faz tudo pelos lucros
Vaza seus íntimos vídeos
Reclama de tudo mas quando lhe é dado o poder faz igual a todos…
Outrora conservador de princípios
Hoje moderno rei da falácia
Na mídia fala pelos números
A sombra da mulemba condena seus próprios atos…
Reage com irá ao visualizar sua entrevista no podcast…
O ANGOLANO HOJE
É controverso de seu ato
Confuso no compasso
Anda de mãos dado com o passado…
Feliz em seus intensos delírios…
O ANGOLANO HOJE
Soldado Wandalika
Poeta e escritor angolano mentor do projeto Luso internacional POETAS DA ILUSÃO
- O angolano hoje - 17 de julho de 2026
- Ausentes - 6 de julho de 2026
- Absorção (1) - 15 de junho de 2026
Natural de Luanda (Angola), e mais conhecido no meio artístico como Soldado Wandalika, é Gestor Administrativo, poeta, escritor, declamador, músico, compositor e agente cultural. Iniciou sua carreira literária como poeta declamador em 2006. Em 2020 lançou o primeiro EP, intitulado General de Guerra, composto por duas músicas e quatro poemas. Tem três músicas e um videoclipe disponibilizado nas plataformas digitais e no YouTube. Participou da Antologia Poema Sem Vogal, no Brasil. É colaborador da Rádio Cultura Angola no programa Manhã De Prosa e trabalhou na Rádio Cazenga, como agente cultural. Como poeta, colaborou com a Rádio Eclésia, dando voz ao espaço Palco das Artes. Tem colaborações artísticas com artistas do México, Moçambique, e do Brasil. Autor do livro Kuduro Poético. (Kuduro). É CEO do projeto internacional Poetas Da Ilusão, composto por brasileiros, moçambicanos e angolanos e mentor do projeto comunitário Meu Bairro Meu Centro Cultural.

