Ismaél Wandalika: Poema ‘Absorção’ (1)


Calar no inverno quando a alma sente o adorno do frio penetrante nos ossos da caneta
Fugir do asilo da lembrança que atravessam década
Olhar firme nos olhos do medo que a vida consome
Seguir além da glória com fome da morte
Passos dados no deserto
Aguas secam no começo do trajeto
Traçado destinado, andar na linha do tempo vermelho
Inventar sorriso na órbita da malamba do controverso…
A carruagem avança o fôlego indaga o calendário
Não há rios que atravessam a ilusão das lições percorridas na forja
vozes alimentam o silêncio no pátio da lembrança
A dança encanta a manada no brilho há vida
Na vida há malfeitores
Que na trilha causam dores
Não há
Vida sem dor
Sucesso sem labor
Amor sem dessabor
Noite sem criança
Idade sem lembrança
Cicatrize sem ferida
Sim há
Morte além da vida
Absorção (1)
Soldado Wandalika
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Natural de Luanda (Angola), e mais conhecido no meio artístico como Soldado Wandalika, é Gestor Administrativo, poeta, escritor, declamador, músico, compositor e agente cultural. Iniciou sua carreira literária como poeta declamador em 2006. Em 2020 lançou o primeiro EP, intitulado General de Guerra, composto por duas músicas e quatro poemas. Tem três músicas e um videoclipe disponibilizado nas plataformas digitais e no YouTube. Participou da Antologia Poema Sem Vogal, no Brasil. É colaborador da Rádio Cultura Angola no programa Manhã De Prosa e trabalhou na Rádio Cazenga, como agente cultural. Como poeta, colaborou com a Rádio Eclésia, dando voz ao espaço Palco das Artes. Tem colaborações artísticas com artistas do México, Moçambique, e do Brasil. Autor do livro Kuduro Poético. (Kuduro). É CEO do projeto internacional Poetas Da Ilusão, composto por brasileiros, moçambicanos e angolanos e mentor do projeto comunitário Meu Bairro Meu Centro Cultural.


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