maio 03, 2026
Concierto de Aranjuez
Trabalhador certo no local certo
Corpo lume em terra
Labor no universo literário
Avanço tecnológico e relações humanas
Historiadora será contemplada em Solenidade da FEBACLA
Jornalista será contemplado em solenidade da FEBACLA
Últimas Notícias
Concierto de Aranjuez Trabalhador certo no local certo Corpo lume em terra Labor no universo literário Avanço tecnológico e relações humanas Historiadora será contemplada em Solenidade da FEBACLA Jornalista será contemplado em solenidade da FEBACLA

Insignificante

image_print

Evani Rocha: Conto: ‘Insignificante’

Evani Rocha
Evani Rocha
Imagem criada por IA do Gencraft - 16 de junho de 2025, às 10:20 PM
Imagem criada por IA do Gencraft – 16 de junho de 2025,
às 10:20 PM

Sobre a mesa os cotovelos magros, e as mãos com seus dedos longos e finos apoiando o queixo… Era uma mesa de madeira lisa, dura, silenciosa. Os lábios cerrados também eram silenciosos. Os olhos parados ao longe, no abandono daquele rosto esguio cruelmente insignificante. Quem se importa com a dor da infância? Se já é gente grande, com dores tão imensas, e tão distante daquelas? O horizonte parece um caminho para as nuvens, mas não são nuvens dessas brancas que se diz como algodão. Elas têm cores: alaranjadas, acinzentadas, violetas e carmim… O quadro da parede retrata uma casinha solitária em frente a uma montanha nua, sem árvores, sem rios… Talvez aqueles pontinhos verdes sejam cactáceas, para resistir ao tamanho daquele sol!

O vento sopra o pó da estrada de terras que vai embora serpenteando o vale. A mesa também é insignificante. Não menos que todas as preces do fim das tardes, a se repetirem dia após dia… os pensamentos caóticos lhe cansam a paciência. Esperar dói! Dói muito, talvez pela incerteza. O quadro está torto, exposto, na parede de adobe. Que importa um quadro torto, se a vida também é torta!? Se pudesse arrumaria o quadro na parede, e colocaria nele pelo menos uma arvorezinha ao lado da casa…
Se pudesse, tiraria as curvas do caminho de terra e deixaria que ele entrasse céu adentro, até às nuvens…

Se pudesse, não pensaria mais, deitaria na cama desarrumada, puxaria o cobertor e fecharia os olhos. Esticaria os braços frágeis com suas mãos magras e seus dedos longos. Lá fora na varanda ficaria a mesa dura e silenciosa para sempre, a olhar um horizonte tão distante a mudar de cores todos os dias. Insignificante, cruelmente insignificante.


Evani Rocha

Voltar

Facebook

Evani Ferreira Rocha
Últimos posts por Evani Ferreira Rocha (exibir todos)

2 thoughts on “Insignificante

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
Social media & sharing icons powered by UltimatelySocial
Acessar o conteúdo