Evani Rocha: Poema ‘Confidente e fria’


Quando a solidão chega e encontra ninho
Ela nunca mais vai embora
Não porque a queremos
Mas porque precisamos
Porque ela preenche um vazio
De não ‘sei o quê’
Porque ela é silenciosa e não questiona
Porque ela é dona
De todos os espaços
Que sobraram em nossa vida
Ela é confidente e fria
Fica com a gente e escuta os lamentos
Ela não bate à porta
Mas senta-se à mesa do café,
Do almoço e jantar…
Não para comer,
Mas para nos ver de perto
Olhar no fundo dos olhos
Sentir o cheiro do café e das rosas,
Abertas no jardim…
Ela fica,
Porque nos acostumamos
À sua companhia,
Ao seu sorriso apagado,
Aos seus afagos…
Nos acostumamos ao seu lado,
À sua imagem disforme e presente…
No terreiro, nas vidraças,
Nas chuvas de janeiro!
Ah, que sentimento é esse,
Que causa desassossego
Mas que ocupa os espaços ociosos,
Da casa, das ruas, das calçadas…
Que pode ser psicólogo,
Dar colo e puxão de orelha…
Mas que, também, não nos deixa sós
Nas horas eternas de um dia de verão!
Evani Rocha
- Confidente e fria - 23 de abril de 2026
- Carolina Maria de Jesus - 23 de março de 2026
- Mulher moderna - 8 de março de 2026
Evani Rocha, natural de Chapada dos Guimarães (MT) é bióloga e professora da rede pública há 25 anos, com pós-graduação em Educação, especializada em Literatura Brasileira. Na área literária é poetisa, escritora e autora dos livros: Retalhinhos (Poesia, 2020) e Folhas de Outono (Contos, lançado na Bienal/Rio 2023). Na área acadêmica, é Acadêmica Internacional da FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, da qual recebeu o título Embaixadora Cultural da Paz. Apaixonada pelas artes, em especial a pintura e a escrita, Evani Identifica-se como uma pessoa ligada umbilicalmente à natureza, onde passou boa parte de sua infância. As artes e a natureza são sua fonte de inspiração, motivo pelo qual sua pintura e escrita têm uma voz que ecoa, quase sempre, desse lugar-comum.


Evani, seus poemas são antivírus, ou antídotos a certos ‘poemas’ que infestam as redes sociais.
Você é incapaz de poetar o óbvio, pois utiliza as palavras, como alguém que, cuidadosamente, embrulha um presente a uma pessoa especialíssima!
Caríssimo Sérgio Diniz,
Suas palavras sempre nos incentiva a continuar, nesse caminho, que, nem sempre é confortável, mas que a gente ama demais.
Gratidão por comentar!