Karla Dornelas: Poema ‘Até quando?’


Somos atacadas
porque somos mulheres?
A sentença
já nasce no ventre?
Por sermos mulheres
pagamos antes mesmo
de existir?
Pela roupa.
Pelo corpo.
Pela liberdade
que insistem em dizer
que não podemos ter.
Dizem que foi a roupa.
Dizem que foi o horário.
Dizem que foi o comportamento.
Mas nunca dizem
que foi a violência.
Então responda —
com coragem e sinceridade:
Qual das mulheres que você ama
você entregaria
à dor,
ao medo,
ao sangue?
Qual delas aceitaria ver
espancada,
violentada,
assassinada…
e ainda assim
procuraria uma justificativa
para torná-la culpada?
Porque toda vez
que se culpa uma mulher
apenas por ser mulher —
por viver,
errar,
existir
como qualquer ser humano —
a violência encontra abrigo.
Justificar agressões
é participar do silêncio.
É normalizar o horror.
É permitir
que matem uma mulher
antes mesmo
de tirarem sua vida.
Porque a violência contra uma mulher
começa no julgamento.
Culpada
porque é mulher.
Culpada
porque terminou.
Culpada
pela roupa curta.
Culpada
porque falou.
Culpada
porque existiu.
Culpada.
Culpada.
Culpada.
E o veredito final:
apagar quem somos,
silenciar o que amamos.
Até quando?
Karla Dornelas
- Professor Carlos Cavalheiro publica artigo em e-book da UERJ - 10 de março de 2026
- Meigo olhar - 8 de março de 2026
- Até quando? - 8 de março de 2026
Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA e do Núcleo Artístico e Literário de Luanda – Angola – NALA, e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Soberana Ordem da Coroa de Gotland, Cavaleiro Comendador; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: Medalha Notório Saber Cultural, Comenda Láurea Acadêmica Qualidade de Ouro; Comenda Baluarte da Literatura Nacional e Chanceler da Cultura Nacional; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult. Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Imortal Monumento Cultural e Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Prêmio Cidadão de Ouro 2024, concedido por Laude Kämpos. Pelo Movimento Cultivista Brasileiro, o Prêmio Incentivador da Arte e da Cultura .


Parabéns, amiga querida. Você é uma luz em minha vida e tenho certeza que será na vida de todos que tiverem o privilégio de ler seu poema.