Clayton Alexandre Zocarato: ‘O celular perdido’


Era uma sexta-feira à tarde quando Júlia, de 16 anos, saiu da escola correndo para pegar o ônibus.
Estava animada para o fim de semana: ia dormir na casa da melhor amiga, assistir a filmes e fazer pipoca.
Na correria, não percebeu que seu celular caiu da mochila.
Só notou quando chegou na casa da amiga e foi procurar o aparelho para mandar uma mensagem para a mãe.
— Meu celular sumiu! — disse, aflita.
— Você tem certeza de que trouxe? — perguntou Ana, tentando ajudar.
Júlia voltou até o ponto de ônibus, refazendo o caminho. Nada.
Perguntou na escola, no ônibus… ninguém tinha visto.
Desesperada, foi até a delegacia para fazer um boletim de ocorrência.
Era só um celular, mas ali estavam suas fotos, contatos, senhas… parecia que parte da sua vida tinha sumido.
No dia seguinte, recebeu uma ligação do número da escola.
Um funcionário da limpeza tinha encontrado o aparelho no pátio.
Estava com a tela trincada, mas ainda funcionava.
— Que sorte! — disse Júlia, aliviada. — Mas aprendi a lição.
Desde então tomou mais cuidado, e fechou com atenção o zíper de sua mochila, mas também percebeu que mensagens de diversos garotos começaram a adentrar em seu aparelho, perguntando sobre ‘certas fotos’ de caráter íntimo que foram acintosamente compartilhadas em grande escala pelos grupos de WhatsApp da Escola.
Clayton Alexandre Zocarato
- O ruído e o vazio entre nós - 20 de março de 2026
- O cara encostado dormindo no semáforo - 9 de março de 2026
- O país em estado de espera - 3 de março de 2026
Naural de São Paulo, Capital, na área acadêmica possui graduação em Licenciatura em História pelo Centro Universitário Central Paulista Unicep – São Carlos (SP), graduação em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano – Ceuclar – Campus de São José do Rio Preto (SP), Técnico em Comércio Exterior pela Faculdades Eficaz – Coronel Fabriciano (MG) e Especialista em Medina y Arte com ênfase em Gilles Deleuze e Equizoanálise onde é também pesquisador do Centro de Medicina y Arte de Rosário Argentina. Na área social é analista político. E, na área literária, poeta, contista, compositor, ensaísta, crítico social e literário e Analista Político.

