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Meandros de rio

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Ella Dominici: Poema ‘Meandros de rio’

Ella Dominici
Ella Dominici
Imagem criada por IA do Bing - 12 de dezembro de 2025
Imagem criada por IA do Bing12 de dezembro de 2025,

O rio não é cenário.
Ele fala — não em voz, mas em sinais.
Seu fluxo, ora manso, ora urgente, traduz humores invisíveis,
e quem permanece à sua beira aprende a escutá-lo pela percepção que atravessa a pele
e alcança o interior da alma.

As margens murmuram histórias antigas;
o vento traz respostas que ninguém formula;
e o som da água, ao tocar pedras distintas, compõe significados
que não cabem em palavras, mas em sensações.

O voo dos pássaros risca o céu como pequenas frases do alto;
cada mudança de direção é aviso,
cada pouso, uma pausa;
cada revoada, um pensamento que se desprende do mundo.

Depois da chuva, a terra exala um cheiro quente, quase maternal,
como se afirma que o tempo sempre guarda alguma fertilidade,
mesmo quando se mostra hostil.
A fragrância sobe devagar, criando um diálogo silencioso
entre o visível e o que não se nomeia.

A paisagem inteira se comporta como consciência desperta,
como se o mundo pensasse e aguardasse ser compreendido.
E quem ali permanece, mesmo sem perceber,
entra nesse movimento de leitura,
onde cada detalhe — vento, água, folha, aroma —
é frase de um texto maior,
escrito pela própria existência.


Ella Dominici

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Rute Ella Dominici
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2 thoughts on “Meandros de rio

  1. Ela, seu poema é um afago na alma! Cada palavra é uma nota, a compor uma grande e maravilhosa Sinfonia Poética!

    Desta grande e multicolorida flor, destaco esta pétala:

    As margens murmuram histórias antigas;
    o vento traz respostas que ninguém formula;
    e o som da água, ao tocar pedras distintas, compõe significados
    que não cabem em palavras, mas em sensações.

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