Ella Dominici
Poema ‘Sentimentos oceânicos tais Baudelaire


O sublime mora em minha mente,
confidente desse instante presente.
No tédio exalo o que se cala
obra viva, luta e fala
contra o caos persistente.
Mergulho no abismo, sem alarde,
irmão da música em tom grave.
Que beleza há no fim que invade,
e à dor, rainha tão suave,
minha alma inteira arde.
Nas letras, visões tão passageiras,
notas lúgubres, flores estrangeiras.
Como Flores do Mal, me tomam, nu,
com vaidade anarquista à flor do azul,
nesta conquista derradeira.
Vozes que não sei dizer,
mas que me fazem compreender.
Na partitura da lembrança,
ecoam cólera e esperança
dor vestida de prazer.
Despeço-me, em fim tardio,
do que fui — por desafio.
Aceito-me, enfim, na contradição
do que pulsa em meu coração:
silêncio e bravio estio.
No acorde final que me invade,
sou dois: saudade e claridade.
O outro de mim — tão real —
é pétala branda e madrigal
nas marés da eternidade.
Ella Dominici
- Sentimentos oceânicos tais Baudelaire - 26 de junho de 2026
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Natural de São Paulo (SP), é endodontista por profissão e formada no curso superior de Língua e literatura francesa. Uma profissional que optou por uma ciência da área da saúde, mas que desde a infância se mostrava questionadora e talentosa na Arte da Escrita, suscitando da parte de um mestre visionário a afirmação de ela ser uma escritora nata, que deveria valorizar o dom que recebera. Atendendo ao conselho recebido, na maturidade Ella cumpre o vaticínio e lança o primeiro livro solo de poemas (Mar Germinal), rompendo com a escrita meramente contemplativa, abraçando fragmentos, incertezas e dualidades para escancarar oportunidades a si como ao outro. Dribla o autoritário tempo, flagra mazelas psicológicas em minúsculas e múltiplas impressões exteriores e internas. É membro da AMCL – Academia Mundial de Cultura e Acadêmica Internacional da FEBACLA. Coautora de várias antologias. Publica na Revista Internacional The Bard e se inscreveu no 8º Festival de Poetas de Lisboa, participando da antologia promovida pelo evento


Ella, você trouxe, belamente, aos nossos tempos, a melancolia baudeleiriana, contudo, ‘oxigenando-a com a beleza. Seu sentimento oceânico, é o próprio título de seu livro ‘Mar Germinal’!