Ella Dominici: Poema ‘Canção de Outono’


às 03:57 PM
estou deixando
a chuva que amei e amou
evaporar segura em trovoadas
raios partindo…
chegando o outono sou
as folhas que voam e voltam
à terra tua que fica coberta por mim
não falo do caimento…
Falo da valsa em movimento
que me leva ao vento
e danço um leve frio
refrescar sonoro…
não falo das pessoas
esquecidas tal poeira
nem do tempo
sem eira nem beira
Digo das amareladas que
se avermelham
que são poesias livres
Digo das que se soltam
rubras em pensamentos
sem árvores nem galhos
neste outono me abraço
ao teu poema que
desfolhada me deixa
e sem queixa debruço-me
em teu chão onde sazono-me
Amando-te…
outonemo- nos!
Ella Dominici
- Equilibrista - 30 de janeiro de 2026
- Conchas e o mar adentro - 23 de janeiro de 2026
- Díptico poético da alma ferida - 16 de janeiro de 2026
Natural de São Paulo (SP), é endodontista por profissão e formada no curso superior de Língua e literatura francesa. Uma profissional que optou por uma ciência da área da saúde, mas que desde a infância se mostrava questionadora e talentosa na Arte da Escrita, suscitando da parte de um mestre visionário a afirmação de ela ser uma escritora nata, que deveria valorizar o dom que recebera. Atendendo ao conselho recebido, na maturidade Ella cumpre o vaticínio e lança o primeiro livro solo de poemas (Mar Germinal), rompendo com a escrita meramente contemplativa, abraçando fragmentos, incertezas e dualidades para escancarar oportunidades a si como ao outro. Dribla o autoritário tempo, flagra mazelas psicológicas em minúsculas e múltiplas impressões exteriores e internas. É membro da AMCL – Academia Mundial de Cultura e Acadêmica Internacional da FEBACLA. Coautora de várias antologias. Publica na Revista Internacional The Bard e se inscreveu no 8º Festival de Poetas de Lisboa, participando da antologia promovida pelo evento


Ella, este poema tem o frescor do outono, e, com isso, refresca a nossa alma!
Destaco o final: “neste outono me abraço/ ao teu poema que/ desfolhada me deixa/ e sem queixa debruço-me/ em teu chão onde sazono-me”
Que o outono poético nos envolva em poesia
Gratidão pela generosidade!