Evani Rocha: Poema ‘O ébrio’

Amanheceu ali na esquina úmida e lodosa.
Tinha na boca um gosto de zinabre.
A pele encrespada e fria
Pelo sereno da madrugada.
Todos já se foram…
Apenas a penumbra permanecia…
Há pouco ele se arrasta pelos becos da cidade morta.
Ainda tenta beber o último gole,
Mas suas mãos trêmulas não suportam o peso do cálice.
No horizonte, o sol quase desponta
Em meio a um barrado cor de sangue…
É o anúncio de um novo dia!
Permaneceu ali:
Cabisbaixo e embriagado,
Não só pelo álcool,
Mas pela angústia que lhe açolava o peito.
Nada a lamentar, nem forças para gritar…
O mundo emudeceu!
Sem jeito de ignorar a resignação…
Então, debruçou-se sobre os joelhos,
Vencido pela solidão,
E deixou o tempo dele se encarregar!
Evani Rocha
Voltar
- O ébrio - 30 de julho de 2026
- Prenúncio - 21 de julho de 2026
- É assim que a gente vai embora - 8 de julho de 2026
Evani Rocha, natural de Chapada dos Guimarães (MT) é bióloga e professora da rede pública há 25 anos, com pós-graduação em Educação, especializada em Literatura Brasileira. Na área literária é poetisa, escritora e autora dos livros: Retalhinhos (Poesia, 2020) e Folhas de Outono (Contos, lançado na Bienal/Rio 2023). Na área acadêmica, é Acadêmica Internacional da FEBACLA – Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes, da qual recebeu o título Embaixadora Cultural da Paz. Apaixonada pelas artes, em especial a pintura e a escrita, Evani Identifica-se como uma pessoa ligada umbilicalmente à natureza, onde passou boa parte de sua infância. As artes e a natureza são sua fonte de inspiração, motivo pelo qual sua pintura e escrita têm uma voz que ecoa, quase sempre, desse lugar-comum.


