Entre as dores do tempo, as feridas da história e o clamor místico a N’ZAMBI: a força visceral e a resistência da alma africana na poesia de Ismaél Wandalika


Fugindo do tempo
A dor me cruza no obsoleto
Vivo no agrafador do pesadelo de meu túmulo
Mendigo meus sentimentos no espetáculo de meu mundo
Me Intensifico em cada discrepância de meu quotidiano
Cavalgo nos planos escritos no murro
levito no mar da vida
mergulho no ar atmosférico
Abraço a brisa e suas lembranças
Absorvo os ventos do vacuo
Viajo nas trilhas de minhas melodias
Enfermo meu corpo N’ZAMBI provendencia curas…
A arte pinta os quadros que a política rotula
O artista é o cientista do empirismo lógico
Nos átrios clamamos : Phendula, Phendula!
A vida soma os alaridos dos batuques nas ondas de uma surfista
As palmas salvam a cidade de malícia
O caminho escurece a cada partida
O mar esconde os segredos mais negros da Europa
Os remos são coniventes nessa história
Nos átrios clamamos: Phendula! Phendula! Phendula! Phendula! N’ZAMBI é a nossa cura!
Os montes desabaram, olhamos nos olhos da esperança que desesperada mente!
Fugindo do tempo
Nos átrios clamamos :
Phendula Phendula N’ZAMBI!
A África encanta seus lamentamos
O destino veste os pontos de seus escolhidos!…
Soldado Wandalika
- Phendula - 15 de outubro de 2026
- Um estranho no ninho - 9 de outubro de 2026
- A descoberta de Angeline: o novo livro de Fabíola Fabrícia! - 8 de outubro de 2026
Natural de Sorocaba (SP), é escritor, poeta e Editor-Chefe do Jornal Cultural ROL. Acadêmico Benemérito e Efetivo da FEBACLA; membro fundador da Academia de Letras de São Pedro da Aldeia – ALSPA; Acadêmico Imortal Fundador da Académie Léon-Gontran Damas des Lettres et Arts de la Guyane française; Fundador Imortal del Núcleo de Artes, Ciências e Letras de Assunção|Paraguai e membro da Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB. Autor de 8 livros. Jurado de concursos literários. Recebeu, dentre vários titulos: pelo Supremo Consistório Internacional dos Embaixadores da Paz, Embaixador da Paz e Medalha Guardião da Paz e da Justiça; pela Real Ordem dos Cavaleiros Sarmathianos, Benfeitor das Ciências, Letras e Artes; pela FEBACLA: as Comendas: Baluarte da Literatura Nacional; Láurea Acadêmica Qualidade Ouro; Chanceler da Cultura Nacional e Ativista da Cultura Nacional ; pelo Centro Sarmathiano de Altos Estudos Filosóficos e Históricos, Benemérito Pesquisador em Artes e Literatura e Dr. h. c. mult.; Pela Academia de Letras de São Pedro da Aldeia, o Título Honra Acadêmica, pela categoria Cultura Nacional e Belas Artes; Grão-Mestre das Artes; Mestre dos Saberes Luso-Brasileiro; pela Academia dos Intelectuais e Escritores do Brasil – AIEB, Grandes Escritores do Brasil.


‘Phendula’ (palavra de origem bantu que evoca resposta ou contestação) é um poema telúrico, doloroso e de uma força mística extraordinária. Ismaél Wandalika transita entre a angústia existencial do indivíduo e as feridas históricas da África, fazendo referências poderosas como os “segredos mais negros da Europa” escondidos pelo mar (uma clara alusão às travessias e migrações). A presença de N’ZAMBI (Deus) surge como o porto seguro e o clamor final por cura.
É uma obra-prima de empirismo lógico-poético que denuncia rótulos políticos e consagra a arte como a verdadeira tradutora do sofrimento e da esperança de um povo.