Diamantino Bártolo faz uma profunda reflexão filosófica sobre o papel da ciência e a urgência ética na defesa dos Direitos Humanos diante dos desafios da sociedade moderna


Preocupar-se-á a ciência com as questões da cidadania, da solidariedade, dos Direitos Humanos e com outros valores universais? Ou pelo contrário, tais assuntos não interessam à ciência em geral e aos cientistas em particular? Nesta perspectiva parece-me que a questão é pertinente porque vivemos numa sociedade difícil, complexa, em busca da satisfação pessoal, a multiplicação de experiências, a exploração do negativo, do espetacular, do sensacional, do escandaloso, o que estará a conduzir para uma desmoralização da vida pública, com reflexos na vida política, principalmente nos mais jovens, que se relaciona com a tentativa, sistematicamente organizada de, se não eliminar, pelo menos substituir os conteúdos morais e éticos, substantivos, valores orientadores, devidamente ajustados à prática.
Ao decidir realizar esta breve, insuficiente e deficiente investigação sobre a necessidade imperiosa de desencadear os mecanismos legais/académicos de sensibilização das consciências para o cumprimento dos Direitos Humanos, precisamente no âmbito da Epistemologia, tinha a indicação das dificuldades que iria encontrar, contudo: enquanto cidadão, no pleno exercício dos seus deveres e direitos; como eterno aprendiz de filósofo, tenho, igualmente, o dever de refletir sobre estes temas.
Podemos abordar a problemática dos Direitos do Homem, a partir de várias possibilidades: estratégicas, metodológicas ou mesmo teleológicas, contudo, numa forma simples e clara, parece-me pertinente invocar a máxima: «Todos os Seres Humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade.» (ONU: Declaração Universal dos Direitos do Homem, Artº 1º) e: «Não se deve perder a fé na humanidade: a humanidade é um oceano limpo e um par de pingos sujos não sujam o oceano.» (GANDHI).
A próxima comemoração do 78º aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem (10 Dezembro 1948) infelizmente com o recrudescimento de conflitos e fundamentalismos éticos e religiosos, deve constituir real incentivo e preocupação para que as problemáticas dos Direitos (e Deveres) Humanos, comecem a ser tratados com o devido e merecido discernimento e seriedade que merecem; estando sabido que hoje, ainda que, possivelmente, menos que ontem, os Direitos Humanos que abarcam um conjunto muito vasto das dimensões da vida humana, continuam a ser tratados como “boas intenções”, concretamente: por interesses económicos ou burocracias instaladas; por ditaduras e repressões políticas e religiosas.
A manifesta irrelevância com que os Direitos Humanos são invocados é, cada vez mais, alvo de denúncia por parte das Organizações Não Governamentais, do olhar indiscreto dos Média, dos biliões de pessoas que sentem a miséria, o analfabetismo, a intolerância, a discriminação, a violência e a guerra. Neste aniversário, quantos milhões de crianças, idosos e marginalizados estão a passar fome, sabendo-se que algumas Organizações pagam para não se produzir alimentos, para se controlar as matérias-primas, com o objetivo de se criarem condições para que a especulação tenha o caminho mais livre?
Por outro lado, novos desafios apareceram: eutanásia, tráfico de órgãos, clonagem, degradação e delapidação do meio ambiente, até mesmo o processo de globalização das economias. A subordinação dos cidadãos ao poder da força bélica dos que “querem, podem e mandam”, pode verificar-se em todos os cantos do mundo. Os Relatórios da Amnistia Internacional, das Organizações Não Governamentais e denúncias dramáticas da própria Igreja Católica, são a prova insofismável de que ainda “há muitos pingos sujos a sujarem o oceano da humanidade” que se pretende livre, justa, digna e pacífica!
BIBLIOGRAFIA.
GANDHI MAHATMA, (1869-1948) líder pacifista indiano. Principal personalidade da independência da Índia, então colônia britânica, ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de não-violência. (Grande defensor dos Direitos Humanos
ONU-ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (1948) Declaração Universal dos Direitos do Homem, Lisboa: Amnistia Internacional, Secção Portuguesa, 1998;
Bibliografia geral
Venade/Caminha – Portugal, 2026
Diamantino Lourenço Rodrigues de Bártolo
Presidente HONORÁRIO do Núcleo Académico de Letras e Artes de Portugal
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Natural de Venade, freguesia portuguesa do concelho de Caminha, é Licenciado em Filosofia – Universidade Católica Portuguesa; Mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea – Universidade do Minho – Portugal e pela UNICAMP – Brasil; Doutorado em Filosofia Social e Política pela FATECBA; autor de 14 Antologias próprias: 66 Antologias em coedição em Portugal e no Brasil; vencedor do III Concurso Internacional de Prosa – Prémio ‘Machado de Assis 2015’, Confraria Cultural Brasil – Portugal – Brasil; Prêmio Fernando Pessoa de Honra e Mérito – Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas do Brasil’ 2016; Vencedor do “PRÊMIO BURITI 2016”; Vencedor do Troféu Literatura – 2017; Cargos: Presidente do NALAP – Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa;; Condecorações: Agraciado com a ‘Comenda das Ciências da Educação, Letras, Cultura e Meio Ambiente Newsmaker, Brasil’ (2017); Título Honorífico de Embaixador da Paz; Título Nobiliárquico de Comendador, condecorado com a ‘Grande Cruz da Ordem Internacional do Mérito do Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral’ pela Sociedade Brasileira de Heráldica e Humanística; Doctor Honoris Causa en Literatura” pela Academia Latinoamericana de Literatura Moderna y la Sociedad Académica de Historiadores Latinoamericanos. Título de Lorde – Mérito Cultural, outorgado pela Casa Real de Borgonha – Afonsina.


Este artigo brilhante promove uma reflexão indispensável e corajosa ao questionar o compromisso ético da ciência frente à degradação dos valores morais contemporâneos.
O autor conecta de forma magistral os fundamentos da Epistemologia com a urgência prática dos Direitos Humanos, despertando as consciências para a solidariedade global.
Uma leitura humanista formidável que honra o pensamento de Gandhi e convoca a juventude a resgatar a dignidade na construção de uma sociedade justa e pacífica.