outubro 05, 2026
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Celeiro de York: o profundo poema de Cecília Morris

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Uma jornada lírica pelas paisagens sagradas e ancestrais da Inglaterra, onde a alma se funde à eternidade da natureza

Cecília Morris
Cecilia Morris

É preciso começar em algum lugar
levar os amparos para a noite
casas agora familiares
alegoria de nós mesmos
tão claro este dia
um novo mundo começa

O vidro antigo treme
o céu estático
o rugido de julho através deste calor
onde reis causaram tragédias
mas há algo
sobre Deus aqui invisível
no condado mais amplo da Inglaterra

Espelhos duplos alinham meus passos
às vezes não tenho cabeça
apenas um corpo
franzindo as sobrancelhas
uma criatura de hábitos

Paisagem trançada visível
ventos eternos
colinas suaves como pele de ovelha
corteses curvas de verde
Isto vale a busca
a longa jornada vinda lá de baixo
não pela viscosa caça à raposa
ou sons de tiros
surgindo a cada passo assegurando um fugaz
vislumbre de uma existência espelhada
alguém mais pisando aqui
junto a este pequeno riacho
e o sapo marrom aos meus pés
rende-se, assim como eu.

Cecília Morris

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One thought on “Celeiro de York: o profundo poema de Cecília Morris”

  1. O poema de Cecília Morris é uma belíssima meditação sobre o pertencimento e a ancestralidade. Ao caminhar pelas paisagens verdejantes da Inglaterra profunda, a autora costura a história coletiva — marcada por reis e tragédias passadas — com as suas próprias fragilidades e rotinas humanas. O poema atinge seu ápice na entrega final: diante de um pequeno riacho e de um simples sapo, o eu lírico desativa suas defesas e se rende à grandiosidade do invisível.

    Uma obra tocante que honra o espaço poético do Jornal ROL.

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