Ella Dominici:
A jornada da alma que desarmou o medo para renascer no raiar de uma nova consciência

Sento-me diante do medo,
encafifada, vigiando uma fronteira.
Tanto me desconhece aquilo que me indigna.
E, sem nome, em noite de angústias,
declínio em algemas junto ao
abrir de trincheiras.
Um confronto de rivais, são ideias em disputa,
e das bases, fossos, partes, pares partem
aos ataques.
O invisível se apropria de imagens sem barreiras.
Sem bandeiras, só meu verbo é lema sem dono,
onde tremula a audácia no sobreviver da palavra.
De todas as respostas impostas, sem armas e sem adagas,
em silêncio mudo, arde-me o vulto palpitante
e o não querer dizer aquilo que não tem verdade.
Destila o líquido do estopim que me acalora.
Na mente, um livro, linguagem e um debate,
o soletrar na noite que avança e, dentro dela, um resgate e,
Vislumbro.
o passável do impossível,
o possível do indizível,
o visível do mutável!
Não mais me abala a intransigência.
E, dissidente, resisto, me desabrigo e insisto,
sitiado em pôr do sol,
do absurdo que já dorme.
Um radar da Resistência
no raiar da Consciência
Livre-alvedrio
Um despertar do Sol
é um fenômeno intelectual.
Acordo.
E no território secreto da alma,
recolho do silêncio o que ainda sou.
Apenas Ela,
a consciência erguendo-se madrugada,
cale-se o que finda
no amanhecer da liberdade.
Como aprendizado do Sol internamente,
o sorriso do cálice em licor
desfaz a sede antiga
e ilumina o que em mim renasce.
Ella Dominici
- Território da alma em solo da consciência - 2 de outubro de 2026
- Essência da poesia - 28 de setembro de 2026
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Natural de São Paulo (SP), é endodontista por profissão e formada no curso superior de Língua e literatura francesa. Uma profissional que optou por uma ciência da área da saúde, mas que desde a infância se mostrava questionadora e talentosa na Arte da Escrita, suscitando da parte de um mestre visionário a afirmação de ela ser uma escritora nata, que deveria valorizar o dom que recebera. Atendendo ao conselho recebido, na maturidade Ella cumpre o vaticínio e lança o primeiro livro solo de poemas (Mar Germinal), rompendo com a escrita meramente contemplativa, abraçando fragmentos, incertezas e dualidades para escancarar oportunidades a si como ao outro. Dribla o autoritário tempo, flagra mazelas psicológicas em minúsculas e múltiplas impressões exteriores e internas. É membro da AMCL – Academia Mundial de Cultura e Acadêmica Internacional da FEBACLA. Coautora de várias antologias. Publica na Revista Internacional The Bard e se inscreveu no 8º Festival de Poetas de Lisboa, participando da antologia promovida pelo evento



Ella Dominici nos entrega uma poesia densa e existencialista, onde o eu lírico enfrenta trincheiras íntimas para alcançar o livre-arbítrio. É um belíssimo manifesto de resistência mental e renascimento espiritual através da palavra.