Um canto de transição e esperança que veste a alma com as cores, flores e a força da nova estação

Que adormeça o inverno
E desperte a primavera
Em tons de vários sóis
Realçando os girassóis.
Que se despeça o medo
E se achegue a esperança
Em tons de vigorosos brotos
Anunciando a fertilidade.
Fulguremos a nova estação
Com gratidão ao aprendizado
Em tons de orquídeas e jacintos,
Acolhendo a serenidade.
Embarquemos numa nova aventura
Na certeza de dar valor ao tempo
Em tons de tulipas e amores-perfeitos,
Confiantes e bem-humorados.
Respeitemos a nudez dos arbustos
E saudemos a lealdade da nova roupagem
Em tons de ipês e pingos de ouro,
Recebendo o estímulo que clama felicidade.
Cantemos o amor e efetivemos a vida,
Com o olhar elevado ao que é sagrado,
Em tons de vermelho cor de sangue
Pulsando com coragem o fogo da paixão.
Que venha, sem demora, a paz,
Com a clareza dos inocentes,
Em tons de azaleias, crisântemos e jasmins,
À luz da verdade e da honestidade.
Que os desvarios da vida
Não nos roubem o coração
E que venham os tons de terra cuidada,
Trazendo aconchego e dignidade.
Que brilhem no céu as estrelas
E aqui na terra reine a força da fé
Em tons de geranium e cranesbill,
Consagrando os gestos de proteção.
Marli F. Freitas
- A lealdade da nova roupagem – Poema de Marli F. Freitas - 30 de setembro de 2026
- O mistério das flores - 23 de setembro de 2026
- Uai! Tchê! - 15 de setembro de 2026
Natural de Dom Cavati (MG) é professora, historiadora, escritora e poeta. Cursou História e Geografia e lecionou durante 29 anos. A literatura sempre fez parte de sua vida através das histórias narradas de forma teatral por seu pai. Quando aprendeu a ler passava horas lendo na Biblioteca Municipal e tinha um gosto especial pelas obras dos irmãos Grimm. Durante a vida escolar foi se encantando por vários autores, com apreço especial pela poesia de Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Machado de Assis, João Cabral de Melo Neto, entre outros. É autora de cinco livros, dentre os quais: Entre a Terra e o Céu – Estou Feliz, Estou Passarinho; Entre o Balanço e o Voo – O Vento Amou As Asas Recém-nascidas; Entre o Elo e a Auxese – Teus São Os Olhos Meus. Condecorada com várias comendas, dentre as quais: Ruy Barbosa; Princesa Isabel; Ludwig van Beethoven; Fiódor Dostoiévski; William Shakespeare e Mérito Científico Galileu Galilei. Membro de várias academias, dentre as quais: Federação Brasileira dos Acadêmicos das Ciências, Letras e Artes; Académie des Lettres et Arts Luso-Suisse; Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Portugal



Este sensível poema de primavera utiliza a sinestesia das flores para celebrar a renovação espiritual e a esperança diante das transições da vida.
O texto se consolida como um belíssimo hino de fé, convidando o leitor a despir-se dos medos e acolher a lealdade da nova roupagem da natureza.