María Beatriz Muñoz Ruiz desvenda a essência misteriosa daqueles que transformam a dor em versos e costuram a magia com palavras


Palavras que o vento não pronuncia,
sussurros de versos que se leem eternos.
Teus lábios recitam tormenta e fogo,
minhas letras choram com o amor ao tempo.
Pretensiosos, credes conhecer-nos.
Mas a flor que olha para o sol
e cresce em silêncio,
pode ser um amor proibido
cujo calor derrete meu tormento.
O caminhar sem rumo pelo teu sopro,
pode significar que desejo outro mundo,
ser invisível… deixar o presente,
esse segundo sinistro,
que fecha sua sombra
sobre o romantismo lento.
Sim, desnudamos nossa alma
com cada verso.
A dor, nós a convertemos em poemas,
baladas de carícias e dilemas,
segredos de sombra
lidos sob a falsa lâmpada da certeza.
Uma borboleta que voa?
Uma alma que se vai
sem garantir que volte.
O orvalho da manhã?
Lágrimas que nunca serão vistas
nem perguntadas.
Uma flor sobre a tua lápide?
Desterrado do meu coração,
esquecido para onde quer que eu vá.
Nunca garantais conhecer um poeta.
Versos criados a partir do barro,
leves voam presenteados em direção ao céu.
Música que rega com sua melancolia
os prados verdes.
Escuridão sem medo,
mel que adoça
la luz do caminho
e cura as feridas
daquele que caminha sem esquecer,
e lembra o caminho que nos há de levar
sem sucumbir à tentação de olhar para trás.
Somos poetas:
criadores de magia e de tormentas.
Somos poetas;
não temos que confessar nossa tristeza.
Não desejamos que nos compreendam;
somos poetas.
Nossa essência não vos deve pureza,
simplesmente, saboreai cada palavra
e fazei-a vossa.
Não deixeis que morra
a rosa eterna
que cada alma encerra
com sua própria condena.
Maria Beatriz Muñoz Ruiz
- Somos poetas - 5 de outubro de 2026
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Natural de Granada (Espanha), profissionalmente é formada em Educação Infantil e Psicologia Infantil, com especialização em autismo, pela Universidade de Valência e é graduada pela Universidade de Madri como Assistente Psiquiátrica e Auxiliar de Enfermagem, conciliando a formação acadêmica com o trabalho na indústria da moda para uma grande marca. Também é Gerente de Comunidades, possuindo formação em Marketing Digital. Na seara literária, é romancista e poetisa, sendo que, quando deseja ir além de sua persona romântica estereotipada, escreve sob o pseudônimo La Dama Oscura (A Dama Negra), um pseudônimo que lhe permitiu revelar um lado até então desconhecido de si mesma aos seus leitores. Autora de 14 romances e 9 coletâneas de poesia. É Diretora da revista cultural One Stop, tendo recebido o Prêmio César Vallejo de Excelência nas Artes de 2023 por sua longa e distinta carreira na área. Colunista internacional de vários jornais e revistas nacionais e internacionais, dentre eles: El Sol de Colombia, El Sol de las Américas (República Dominicana), El Postantillano (Porto Rico), Panamá Poético (Panamá), La Prensa (Nicarágua), NC Latina Magazine (Carolina do Norte, EUA), Plumas Libres, Desde Puebla (México) e Posdata Digital (Argentina).


O poema de María Beatriz Muñoz Ruiz é um mergulho profundo e quase místico na identidade do artista da palavra. Ao afirmar que o poeta não deve pureza nem precisa ser compreendido, a autora resgata a soberania da arte sobre as convenções sociais. As belas metáforas da borboleta que parte e do orvalho como lágrimas ocultas coroam uma composição que transborda melancolia e beleza.
Uma belíssima e orgulhosa defesa do fazer poético que engrandece o corpo literário do Jornal ROL.”