outubro 06, 2026
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O tempo se esqueceu de passar

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Jacob Kapingala senta-se na esquina do universo para desvendar os medos do Tempo e as ausências do amor

Logotipo da seção O Leitor Participa, do Jornal ROL. Na No centro da imagem, escrito O Leitor Partidipa. No meio Leitura é vida. Nas laterais, uma pilha de livros de cor marrom. E abaixo, o logotipo do ROL
Seção O Leitor Participa

Foi lá na esquina do universo,
Onde com o tempo me sentei,
E conversámos sobre um verso,
Que no peito sempre carreguei.

Ele contou-me alguns segredos.
Talvez até demais.
Vi nos seus olhos os medos,
Que quase perdi a paz.

E quando chegou a minha vez de falar,
Contei-lhe que a humanidade,
Esqueceu-se de como é amar,
E ser amada de verdade.

Na despedida não quisemos nos separar.
Abraçamo-nos calorosamente,
Que até o tempo se esqueceu de passar,
Como sempre faz diariamente.


Jacob Kapingala

Jacob Kapingala

Jacob Kapingala, 28, é natural da província de Huambo (Angola) e reside em Luanda. Estudou Pedagogia na Escola Missionária do Verbo Divino (Santa Madalena) e atualmente exerce a função de professor do ensino primário.

É escritor e poeta, com participação em algumas antologias e revistas literárias do Brasil e de Portugal.

Teve o desejo de colocar no papel aquilo que pensava somente em 2018, ano em que escreveu seus primeiros poemas. Porém, foi somente em 2019 que passou a se dedicar de corpo e alma à poesia.

É académico da CILA – Confraria Internacional de Literatura e Arte, da ABMLP – Academia Biblioteca Mundial de Letras y Poesía e da Academia Virtual dos Poetas da Língua Portuguesa.

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Sergio Diniz da Costa
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One thought on “O tempo se esqueceu de passar”

  1. O poema de Jacob Kapingala encanta pela doçura com que personifica o Tempo, transformando uma força abstrata em um confidente repleto de anseios e medos. Na ‘esquina do universo’, o diálogo se inverte: o Tempo revela suas vulnerabilidades, enquanto o eu lírico entrega o diagnóstico mais doloroso da nossa época — o esquecimento do amor verdadeiro.

    Um texto de profunda carga reflexiva, onde o abraço final suspende as leis do cosmos em favor da poesia.

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